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Festa da aldeia global

23.07.07

por Luciana Dias

Björk – Volta

(Universal, 2007)

Top 3: “Earth Intruders”, “The Dull Flame of Desire”, “Declare Independence”.

Princípio Ativo:
pós-modernidade, Stuart Hall etc

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Pessoas musicalmente treinadas possuem tendências elitistas inegáveis para se tornarem muito analíticas quando o assunto é... música. Costumam pensar que música é simplesmente música (e isso, óbvio, não é pouco) e que ela não tem que fazer ou implicar em nada – são apenas vibrações no espaço. Eu, por outro lado, sou uma sentimentalista incorrigível que quando tento ser elitista-snottty pra falar de música fracasso miseravelmente, já que o embasamento analítico possível vem de um lugar que é extremamente emotivo (literatura, no caso). Portanto, quer queira quer não eu sinto conexões emocionais/espirituais de menininha-deslumbrada quando se tratam de canções. E eu gosto de música pop. E gosto da Björk.

Apesar de ser uma das artistas mais notoriamente excêntricas (melhor nem mencionar o tópico escolhas equivocadas de vestuário), Björk é inegavelmente radio-friendly. Mas com o passar do tempo sua música foi se tornando mais austera e introspectiva (não que isso seja de todo ruim), tornando seus discos muitas vezes herméticos demais até para os fãs. A coisa acaba ficando meio desinteressante. Não me anima muito a idéia de ficar lá quebrando a cabeça pra achar uma conexão ou gostar ou entender um disco da Björk só porque é umdiscodabjörk.

Mas aí teve um dia que a Björk assistiu “Grey’s Anatomy” e resolveu ser bright-and-shiny de novo. E fazer um disco pop; assumidamente pop. Tem até música com o Timbaland. NEM o Timbaland consegue fazer de Volta um disco de pop. E se nem o Timbaland consegue... sei não. Não é que desgoste de barulhos estranhos e paredes de sons e feedback e discos caóticos. Eu, aliás, ando curtindo os barulhos (Panda Bear e My Brightest Diamonds, por exemplo).

Uma das coisas que vale a pena ser mencionada é que a Björk é uma cabeçuda que acha doido trabalhar sozinha. E esse disco traz várias colaborações. E colaborações que não existiriam num mundo normal das pessoas normais. Onde mais você vai achar o baterista fritado do Lightning Bolt (!) Brian Chippendale, o Antony Hegarty (do Antony & the johnsons – vide Tim deste ano) e o Timbaland andando juntinhos? Só aqui mesmo. E se a escolha das colaborações parece meio aleatória, acabou que o disco ficou meio desconexo também.

Em entrevistas, Björk disse que o rolê desse álbum era fazer algo hipnótico e dançante, com ritmos marcantes e ênfase na percussão. Uma trilha sonora pra uma festa tribal sem fronteiras. Mas pensa só: apesar de não ter nenhuma música ruim no disco, não tem nenhum hit HIT. Onde já se viu festa sem hit?

Nada minimalista, porém suuuuper contemporânea

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