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Mesas e cadeiras espatifadas

08.08.07

por Gabriel Gurman

Gogol Bordello – Super Taranta

(Side One Dummy – Importado, 2007)

Top 3: “Zina Marina”, “Tribal Connection” e “Supertheory of Supereverything”.

Princípio Ativo:
Um bar e álcool, muito álcool.

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Imagine que você está na Ucrânia. Você está com frio, muito frio. Resolve então entrar em um bar para dar “uma aquecida”. Pede uma vodka.

Ao observar a mesa do lado, vê que os gordos e bigodudos locais também estão, cada um, bebendo a mesma coisa. Porém, em garrafa, não em dose. Eis que, do nada, eles começam a gritar alto, discutir. Uma verdadeira pancadaria começa. Tiros para cima, cadeiradas, garrafadas (e tudo mais que puder se transformar em “adas”) na cabeça dos recém-inimigos que antes pareciam tão íntimos.

Não, não estamos falando do lançamento de um novo filme do Kusturica ou de uma seqüência caseira de Borat. O assunto é a trilha sonora perfeita para essa cena: Gogol Bordello com seu quarto CD Super Taranta.

A banda é liderada pelo cantor nova-iorquino descendente de ucranianos Eugene Ürtz. O figuraça é uma espécie de Iggy Pop cigano-bigodudo. Apesar de já conhecido na cena punk-cigana nova-iorquina (?!), o Gogol Bordello só ganhou destaque mundial após a participação na trilha sonora do filme Uma Vida Iluminada, de 2005, estrelado por Elijah Wood.

Os shows da banda são completamente insanos. Na apresentação que tive a oportunidade de conferir – no Coachella deste ano – o vocalista se jogou na platéia diversas vezes, levou e deu uma surra (teatralmente, lógico) em duas japonesas que acompanham o grupo, chutou os fotógrafos e, por isso e muito mais, o show acabou sendo considerado um dos melhores do festival. Destaque para o violinista Sergey Ryabtsev, cuja aparência remete a um refugiado da Guerra dos Balcãs.

Super Taranta, que acaba de ser lançado nos EUA - e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil - não traz nada de novo dentro da carreira do grupo. Não que isso seja ruim, pelo contrário. A banda continua sendo uma das mais interessantes e diferentes da atualidade, fugindo de modismos e apostando no poder de seu punk-cigano em músicas como “Wonderlust King”, “Haren In Tuscany” e “Forces of Victory”. Noutra toada, há ainda algumas levadas mais calmas como a quase regueira “Tribal Connection”.

Quem recentemente reparou nestes bêbados briguentos foi a não menos briguenta, mas um pouco menos bêbada (hoje em dia) Madonna, que os chamou para participar de sua apresentação no recente Live Earth, na perna londrina do mega festival.

Não deixe de escutar esta fantástica banda saída dos piores bares de Nova Iorque.

Cansei de ser cigano

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