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Sobe som! Já o filme...

21.04.08

por Rodrigo Campanella

Quebrando a Banca

(21, Estados Unidos, 2008)

Dir.: Robert Luketic
Elenco: Jim Sturgess, Kevin Spacey, Kate Bosworth, Aaron Yoo, Liza Lapira

Princípio Ativo:
cartas pra que te quero

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Vol. )))

Ben Campbell vai de bicicleta para seu curso no MIT, vende ternos e é o galã na turma de nerds. Enfim, o protótipo perfeito do robozinho bacana e genial, que diz obrigado até para a porta que se fecha depois que ele passou.

Apesar do retrato aí de cima, esse não é um filme bobo no início. Antes de viajar para Las Vegas, ele joga suas pequenas provocações. Ben (Sturgess) quer fazer Medicina em Harvard mas o diretor que decide sua entrada é uma caricatura de poder digna de “Sem Licença para Dirigir”. Kevin Spacey é o professor admirável, com simpatia de apresentador de tv, que convence seu aluno geniozinho que contar cartas para ganhar $ em mesas de baralho é muito legal. E Ben é um bobo simpático, algo que a direção não dissimula, mas usa com graça.

O ritmo do filme leva você no embalo desse universo fácil. E, na meia hora inicial, quase sem músicas, existe uma bela equipe de som direto gravando os diálogos. Se você não sabe para quê atores de cinema treinam a voz, ouça Kevin Spacey, Jim Sturgess...e Kate Bosworth tentando fisgar Ben Campbell.

Vol. ))))))

Filmes feitos para estourar como milho na panela acabam funcionando durante o tempo de consumo de um baldão de pipoca: com boa vontade, quarenta minutos. Daí em diante, dá-lhe som na ascendente, com personagens virando pecinhas do roteiro. E ainda é divertido, especialmente a parte em que o filme coloca o golpe em ação.

Mas, atenção: apesar do esquema de contagem de cartas ser, aparentemente, “detalhado”, você não entende como funciona. Para imaginar as razões, imagine o susto dos prováveis executivos de cinema que também tem participação nos lucros de cassinos quando souberam a trama do filme.

Vol. )))))))))))

Do meio em diante, o som no talo dá a impressão de chupar seu cérebro com canudinho e você talvez olhe no relógio. Realmente a coisa se arrastou demais, tentando explicar como o garoto-maravilha virou um escroque em duas cenas. Num caso desses, ou seu roteiro/ator teve um problema grave ou é hora de chamar um psicólogo da polícia. Só pode ser um psicopata.

Mas Ben/Sturgess é apenas um galã novo na praça brigando para marcar seu rosto na tela. Seu personagem quer entrar num clube de milionários, porém não entende porque deve pagar uma pequena fortuna para isso. E depois passa reto no paradoxo da ‘rebeldia’ de roubar um cassino para torrar tudo no shopping. Parece piada, e talvez seja. Como o nerd-mauricinho bobão do MIT que se aproxima da garota dos seus sonhos, rouba um cassino em Vegas, e termina tão bobão quanto era no começo.

Mais pílulas:
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Onde mesmo você aprendeu a jogar baralho?

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