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Tudo (de absurdo) por (nem muito) dinheiro

19.06.08

por Daniel Oliveira

Jogo de amor em Las Vegas

(What happens in Vegas, EUA, 2008)

Dir.: Tom Vaughan
Elenco: Cameron Diaz, Ashton Kutcher, Rob Corddry, Lake Bell, Queen Latifah, Treat Williams, Michelle Krusiec

Princípio Ativo:
o ódio dos amigos

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Nossa milenarmente sábia colaboradora Isabella Goulart definiu muito bem em seu texto o conceito de screwball comedy, a galinha cujo ovo são as comédias românticas atuais: homem e mulher, claramente apaixonados, resistiam ao amor e se enfrentavam em pé de igualdade até se renderem aos sentimentos.

Se você continuar lendo, vai descobrir ainda que, no gênero, “a comédia física, quase dolorosa, combinava-se agora aos ácidos confrontos verbais de um texto afiado”. E que “atores famosos eram colocados em situações frenéticas das mais absurdas por diretores lendários”.

“Jogo de amor em Las Vegas” tem MUITAS situações absurdas, quase dolorosas. Mas perde o título porque: a) seu texto não é afiado; b) o diretor Tom Vaughan está no extremo oposto da qualificação lendário; e c) Cameron Diaz e Ashton Kutcher são famosos, mas há controvérsias sobre serem, realmente, atores.

Ela é Joy, corretora da bolsa dispensada pelo namorado por ‘planejar demais e ser pouco espontânea’. Ele é Jack, marceneiro demitido pelo próprio pai por ‘não terminar nada que começa e não ter propósitos na vida’. Os dois vão chorar as mágoas em Las Vegas e, depois de uma edição muito videoclíptica noitada de bebedeira, acabam se conhecendo, casando e ganhando US$ 3 milhões num caça-níquel.

Não me peça para explicar por que, o juiz decide que os dois só poderão usufruir do prêmio se tentarem, por seis meses, fazer o casório dar certo. É a desculpa para uma série de gags envolvendo banheiros sujos, urina, tampas de privada e strippers, em que um tenta fazer com que o outro desista da empreitada – e do prêmio.

As gags, por sua vez, são a desculpa para Diaz e Kutcher se comportarem como dois meninos de 12 anos - não por acaso, o público-alvo do filme: que vê nele um modelo de comportamento e nela, aquela gostosa d’O Máskara”. Se bem que eles nem eram nascidos quando esse filme foi lançado.

(A ironia, porém, é que a única coisa realmente engraçada do longa é o ódio entre o melhor amigo dele e a melhor amiga dela. Personagens, aliás, sem nenhuma profundidade ou problemas na vida, que existem em função de dar idéias idiotas para Jack & Joy.)

O roteiro não se preocupa em dar um caráter mais amarrado e menos episódico às gags. E Tom Vaughan acha que a solução para tudo é cortar bem rápido. O que nos leva às conclusões: a) mesmo que você tenha achado as piadas do trailer muito engraçadas, não veja o filme – elas estão todas lá, sem exceção; b) se Diaz e Kutcher tiverem ganhado três milhões para esse filme, foi pouco para a vergonha alheia; e c) o que acontece em Vegas deveria realmente ficar em Vegas.

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Diaz e Kutcher exibem com orgulho o cheque pelas palhaçadas do filme.

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