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Quem canta seus males espanta

15.10.08

por Renné França

Quando estou amando

(Quando j’étais chanteur, EUA, 2008)

Dir.: Xavier Giannoli
Elenco: Gérard Depardieu, Cécile de France, Mathieu Amalric, Christine Citti, Patrick Pineau, Alain Chanone, Christophe, Jean-Pierre Gos

Princípio Ativo:
Depardieu, corpo, e Cécile, alma

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É fácil entender as 10 indicações ao César (o Oscar francês) que “Quando Estou Amando” recebeu (incluindo Melhor Filme). Assim como não é difícil compreender ter ganhado apenas um (Melhor Som). Não há nada muito específico do que não gostar. Mas também não tem nada de espetacular.

O que o filme possui é um dono: Gérard Depardieu. Sua presença em cena é magnetizante, atraindo toda a luz do filme. Aquilo que sobra é facilmente tomado por Cécile de France (Um lugar na platéia, Bonecas russas). Ele é Alain Moreau, um antiquado cantor de covers de músicas francesas românticas em bailes no interior da França. Ela é Marion, uma jovem corretora de imóveis com um filho pequeno. Ele não consegue abandonar nada, seja o disco de vinil ou a ex-esposa. Ela larga tudo facilmente, seja uma possibilidade de um relacionamento ou o próprio filho. O trabalho dele é cantar para as pessoas dançarem. Ela não dança.

Desse casal improvável surge uma história de amor brega e irresistível, exatamente como as canções que Moreau apresenta durante todo o filme (na voz do próprio Depardieu). São canções que, como em um bom musical, dizem do estado de espírito dos personagens e ajudam a narrar essa história de incomunicabilidade e solidão. Moreau brilha no palco, mas tem uma vida opaca, incompleta, que parece só encontrar sentido na bela tristeza que Marion carrega nos olhos. Se a atuação de Depardieu é o corpo do filme, o olhar de Cécile é a sua alma. Moreau e Marion parecem sempre distantes até que ela o escuta cantar: a música é capaz de unir corpo e alma.

Despretensioso e delicado, “Quando Estou Amando” perde um pouco de magia lá pelo final, explorando sub-dramas dispensáveis. Com uns 30 minutos a menos poderia vir a ser uma pérola. Mas o longa dirigido por Xavier Giannoli acaba sendo “apenas” simpático. Ou talvez eu que esteja exigindo demais. Em época de megalomanias oferecidas em forma de filmes, é refrescante ir para casa acompanhado de Alain Moreau, Marion e das canções que você vai se pegar cantarolando após a sessão. É um filme que pode te fazer sair do cinema melhor do que quando entrou. Já está bom demais.

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