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A viagem de Coraline

13.02.09

por Daniel Oliveira

Coraline e o mundo secreto

(Coraline, EUA, 2009)

Dir.: Henry Selick
Vozes de: Dakota Fanning, Teri Hatcher, Keith David, Robert Bailey Jr., Ian McShane, John Hodgman

Princípio Ativo:
sonhar com seus botões

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Coraline podia ter a vida de uma Caroline, mas não tem. Seus pais só trabalham e não lhe dão atenção. Sua mãe não sabe cozinhar e seu pai só faz gororobas. E ela acabou de se mudar para uma casa no meio de um lugar que mais parece um pântano, com vizinhos velhos ou estranhos – ou os dois. Seus amigos ficaram para trás e a única criança que ela conhece é Wybie, um nerd bobão.

Ela podia ser uma Caroline, mas não é.

E é entrando nos sonhos da vida que Coraline gostaria de ter que Neil Gaiman construiu sua fábula de amadurecimento, transposta para o cinema pelo diretor Henry Selick (o verdadeiro comandante por trás da marca Tim Burton em “O estranho mundo de Jack”). Primeira animação stop motion totalmente realizada com tecnologia 3D, “Coraline e o mundo secreto” segue a protagonista quando ela descobre uma pequena porta que a leva para um “Lado B” de sua nova casa. Lá, sua mãe cozinha guloseimas, o pai cultiva um belo jardim, Wybie é mudo, os vizinhos são interessantes – e todos têm os olhos substituídos por botões.

O longa de Selick caminha entre a história infantil e a técnica que, aos poucos, transforma o sonho de Coraline em pesadelo, trazendo o tempero necessário para o público adulto. Ao buscar subverter a lógica do sonho, Gaiman revela gradativamente os reais perigos da fantasia da protagonista, culminando na sua metaforização em uma teia de aranha da qual a personagem precisa escapar. Estratégias, aliás, nada originais – “Coraline e o mundo secreto” é herdeiro direto de “Chapeuzinho vermelho”, “João e Maria” e outras fábulas morais (e sanguinárias) da Idade Média.

E esses velhos elementos só se tornam interessantes novamente graças ao trabalho de Henry Selick e sua equipe. O aspecto artificial, irreal, do stop motion, fugindo do realismo perfeito do CGI da Pixar, traduz bem o caráter fabulesco e fantástico da história. Não se equipara à beleza do roteiro e dos traços de “A viagem de Chihiro”, de Hayao Miyazaki - do qual “Coraline” é primo - mas a trilha do compositor Bruno Coulais consegue deixar as imagens ainda mais bonitas e imergir até o mais adulto dos adultos na mente sonhadora de uma criança entediada.

A dublagem em português infantiliza um pouco demais a trama em alguns momentos, apelando desnecessariamente para arquétipos como a ‘bruxa má’. O original deve ser mais interessante. Gostaria de conferir qual é a interpretação da desperate housewife Teri Hatcher para as personagens da Mãe/Outra Mãe. E se a chatinha Dakota Fanning conseguiu fazer de Coraline uma menina ansiosa e hiperativa – ou se a fez parecer simplesmente aborrecida mesmo.

Mais pílulas:
- A noiva cadáver
- Os irmãos Grimm
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Nossa, papai, e pra quê esses botões tão grandes?...

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