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Robert Langdon goes Jack Bauer

15.05.09

por Daniel Oliveira

Anjos e Demônios

(Angels & demons, EUA, 2009)

Dir.: Ron Howard
Elenco: Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor, Stellan Skarsgaard, Armin Mueller-Stahl, Pierfrancesco Favino, Nikolaj Lie Kaas

Princípio Ativo:
o relógio

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Em “Anjos e demônios”, o diretor Ron Howard finalmente tirou as bolas do fundo do bolso e mostrou a coragem que não teve em “O Código Da Vinci” para controlar o absurdômetro da ficção Danbrowniana. O resultado:

1- O filme gasta pouquíssimo tempo explicando o que é a tal antimatéria. Pouco importa ao público se é um experimento científico que pode mudar a história ou um novo chiclete. Estamos num blockbuster de verão: ela pode causar uma megaexplosão e destruir o mundo todo Vaticano? Beleza.

2- Vittoria Vetra (Zurer), a cientista que auxilia o protagonista Robert Langdon, não passa a história toda de shortinho projetando as fantasias Mônico-bellucianas de Brown a respeito de italianas.

3- O assassino cruel que mata os favoritos à substituição papal, graças a Wilder, não é um estereótipo árabe-muçulmano como no livro e sim um genérico conseguido facilmente no 0800-capangas.

4- Ninguém pula de helicópteros sem paraquedas e sai ileso.

Paradoxalmente, essas infidelidades tornam “Anjos e demônios” um filme anos-luz melhor que Da Vinci. E fato: dentro das rasas ambições ficcionais do autor, a busca de Langdon por quatro cardeais seqüestrados, em plena substituição papal, pelos Illuminati (organização secular típica das teorias da conspiração Brownianas) é bem mais tensa e cinematográfica que o outro livro. É diversão escapista e, dentro do possível, a conturbada relação entre religião e ciência sugerida pela história é até atualizada e melhorada pela produção de Howard.

O filme é um thriller em que Langdon é mais Jack Bauer que simbologista, correndo contra o tempo para solucionar o mistério antes que a tal antimatéria, escondida pelos vilões, exploda todo o Vaticano. A edição imprime bem o clima de tensão e correria por igrejas e praças e o único porém é que quem leu “O Código” desvenda fácil o vilão de “Anjos”, já que a fórmula é a mesma.

O falatório das explicações do protagonista continua incomodando, principalmente no início do longa, mas é diminuído consideravelmente quando a correria começa. Hanks está mais à vontade, mas a montagem não dá espaço para grandes atuações: Stellan Skarsgaard aparenta preguiça de tudo e Ewan McGregor faz o que pode com o papel do camareiro do papa.

A direção de Howard se destaca usando um vermelho scorsesiano na sequência em que a claustrofobia de Langdon é posta à prova numa câmara dos arquivos do Vaticano; e numa bela tomada em plongée ao final, que mostra McGregor andando sozinho, isolado na amplidão da basílica de São Pedro. São momentos assim que transformam o best-seller de Brown em cinema – e que não deram as caras em “O Código da Vinci”.

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“Hanks, sua voz continua a mesma, mas o cabelo...melhorou 100%.”

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