Conan, o Bárbaro

Nossa avaliação

[xrr rating=2/5]

Em certo momento de “Conan, O Bárbaro”, uma personagem pergunta a outra se suas ações seriam conduzidas por alguma força maior, ou se eram apenas fruto do caos. Se há alguma força determinante por trás do filme, eu diria que é a “Rule of Cool”, regra segundo a qual “parecer legal” é mais importante do que fazer sentido. Não que isso seja uma coisa tão ruim, já que “Conan” tem um tipo de espectador bem particular na sua mira: o público juvenil masculino. É um filme pra quem gosta de ver seios, crânios esmagados e sangue jorrando em 3D.

O personagem-título, criado por Robert E. Howard e oriundo da literatura fantástica e das histórias em quadrinhos, revelou Arnold Schwarzenegger para o mundo no filme de 1982 de mesmo nome. Interpretado nesta nova versão por Jason Momoa (o Khal Drogo de “Game of Thrones”), Conan é um guerreiro bárbaro musculoso e depilado que jurou vingança contra o homem que matou seu pai, líder do povo Cimério. O problema é que o tal assassino é um senhor das trevas que procura uma jovem virgem e voluptuosa de “sangue puro” para sacrificar em um ritual maligno e assim ressuscitar sua falecida esposa bruxa. Se tudo soa muito familiar é porque “Conan” não se esforça para sair dos clichês do gênero, e acaba se saindo como uma versão de “O Escorpião Rei” com elenco, figurino, fotografia e efeitos especiais um pouco melhorados.

Com depilação e muita malhação você constrói um bárbaro metrossexual. Por mais paradoxal que isso possa parecer...

Digno de nota é o uso desajeitado da tecnologia 3D: vários dos planos gerais do filme geram um senso de profundidade forçado, que faz com que os cenários criados por computação gráfica frequentemente pareçam maquetes ao invés de enormes castelos e amplas cidades (o que só dificulta ainda mais a imersão no reino ficcional do bárbaro cimério). O mundo de Conan parece sem graça e genérico, mas às vezes é colorido por alguns detalhes que, de tão esdrúxulos, se tornam sensacionais, como a escolha de um navio carregado por elefantes como meio de transporte do vilão.

A grande falha do filme parece ser a sua incapacidade em fazer com que nos importemos com o destino dos personagens. Se Conan sobreviveu ao próprio parto – uma “cesariana” improvisada em pleno campo de batalha que já detona a suspensão da descrença por parte do espectador nos primeiros minutos de projeção –, o que vier depois é fichinha. Resultado disso é que fica bem fácil cochilar mesmo durante as cenas de batalha.

Cenas que, por sinal, resultam em algo entre as coreografias homoeróticas em câmera lenta de “300” e os malabarismos da trilogia “Piratas do Caribe”, o que até rende alguns momentos em que o uso da violência é criativo, mas em nenhum momento é divertido. A resolução do conflito entre o bárbaro e o vilão, que ecoa o momento trágico da morte do pai de Conan, é a única cena em que o filme se ergue acima da mediocridade.

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