Contágio

Nossa avaliação
Contagion (2011)
Contagion poster Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Gwyneth Paltrow, Tien You Chui, Josie Ho, Daria Strokous


É fácil chamar “Contágio” de “Onze Homens e um Segredo” do apocalipse. Afinal, o diretor é o mesmo e estão lá todas as estrelas de Hollywood em papéis menores. Mas o filme guarda mais semelhanças com “Traffic”, outro filme de Steven Soderbergh: histórias paralelas, fotografia diferenciada e um mesmo tema ligando personagens em regiões geograficamente distantes.

A diferença aqui é que “Contágio” não é uma tentativa de tese sobre um determinado assunto, mas uma verdadeira ode à paranóia. Abrindo com o som da tosse de Gwyneth Paltrow, o filme segue o alastramento de um desconhecido vírus que começa a matar as pessoas ao redor do planeta. Soderbergh opta acertadamente por planos mais abertos, distantes dos personagens. Isso funciona de duas formas na narrativa. A primeira é valorizar o close nos toques (quando um dedo toca uma maçaneta, ou uma mão toca o rosto), a outra é intensificar o medo causado pela simples proximidade: qualquer pessoa pode ser responsável pela morte da outra, uma vez que a doença é transmitida pelo contato físico.

Matt Damon como o marido e pai desesperado, Laurence Fishburne como o chefe do departamento de controle de doenças, Kate Winslet como a cientista incansável, Jude Law como o jornalista sensacionalista: todos os atores estão ótimos em seus respectivos papéis, agregando sua própria persona cinematográfica aos personagens que não têm tempo de serem desenvolvidos.

- Então, como não encontrei O Escolhido, vou mandar uma atriz premiada mesmo...

O diretor usa bem os famosos para fazer a história andar rapidamente, em crescente tensão. Assim, com apenas um olhar sabemos que Matt Damon é boa pessoa, que Kate Winslet é bem intencionada, Laurence Fishburne é confiável e que Gwyneth Paltrow não faz falta se morrer.

Mas a divisão da história em tantas tramas paralelas acaba por ser desequilibrada. Toda a parte que acompanha Marion Cotillard em Honk Kong é totalmente dispensável, além de trazer uma mudança de comportamento da personagem que nunca é satisfatoriamente compreendida. Além disso, o filme se esquece do jornalismo impresso e televisivo como dispersor do medo, elegendo a internet como única vilã midiática de situações caóticas.

Mas o roteiro é realista o suficiente para nos convencer do caos e desespero provocados por um contágio em grande escala. Somado à direção segura de Soderbergh e às boas atuações, “Contágio” é sufocante e paranóico o suficiente para não ser indicado para hipocondríacos e para quem tem algum transtorno obsessivo. Mas merece ser visto por todos os outros.

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