HQs da semana: 20 de junho

Nossa avaliação

O grande destaque da semana no mundo dos quadrinhos é, com certeza, “Avengers Versus X-Men #6”. As cinco edições anteriores foram, em média, abismais, mas o “Round 6” redime em parte o crossover ao levar a história para uma nova direção. De caçadores, os Vingadores passam a ser caça quando a Fênix escolhe como hospedeiro não apenas um, mas cinco membros dos X-Men.

Há também uma mudança na arte, e é preciso admitir que o novo desenhista, Olivier Coipel, traz um estilo muito mais adequado ao tipo de narrativa blockbuster da saga do que o de John Romita Jr. O script fica por conta de Jonathan Hickman, e desta vez ele não comete nenhuma gafe como a do urso polar na Antártida. O roteirista acerta ao abrir a edição com um diálogo entre o Professor Xavier e Magneto – e a genuína admiração do mestre do magnetismo pelas realizações dos X-Men é o bastante para deixar Xavier (e o leitor) preocupados com o que virá a seguir.

A edição remete em vários aspectos ao clássico “Marvelman”, ao abordar a ideia de heróis infinitamente poderosos usando seus poderes para mudar o mundo. As soluções encontradas para os “Cinco Fênix”, no entanto, são menos elegantes e criativas do que as do herói clássico; nenhuma delas, por exemplo, deverá durar por muito tempo após os cinco hospedeiros inevitavelmente perderem seus poderes. A posição moral dos Vingadores começa (finalmente) a ser questionada por alguns de seus integrantes, notavelmente os mais inteligentes: o Pantera Negra e o Fera. A entrada da Feiticeira Escarlate em cena deveria servir para lembrá-los do quão desastradamente a equipe lidou antes com o nível de poder da Fênix, mas a teimosia do Capitão América continua. É claro que nós, leitores, sabemos que tudo vai dar errado e ele eventualmente terá razão (porque é isso que sempre acontece nesse tipo de estória), mas do ponto de vista diegético as suas ações parecem apenas mesquinhas.

O único problema maior com a edição é o excessivo foco em um dos cinco hospedeiros da Fênix (e o design do seu “novo uniforme”, que é basicamente um plágio da roupa do Asa Noturna). A maneira como o líder do grupo é tratado é coerente com a evolução do personagem, e a conversa com Jean Grey na edição digital “bônus” acerta todas as notas certas. Mas os demais “escolhidos”, embora sejam personagens complexos e que reagiriam de diferentes maneiras a essa “possessão cósmica”, acabam reduzidos a “capangas” poderosos, zumbis sem muita personalidade que apenas seguem ordens. Além disso, a insinuação de que o líder eventualmente “passaria para o lado negro” não faz sentido quando há quatro outros personagens que deveriam ter probabilidades maiores de perder o controle…

3 Comentários

  • caio
    Em 29 de junho de 2012 19:15 0Likes

    Concordo com tudo, a mudança de desenhista coincidiu com a mudança de tom. Só achei uma péssima desculpa pra esquecerem o fanático-colossus, já que quando ele perder os poderes vai voltar a ser só colossus. Foi muito mal explorado, apesar de ter um grande potencial. O Magneto é que deveria estar entre os cinco ao invés dele, seria bem mais interessante.

  • Filipe
    Em 29 de junho de 2012 20:51 0Likes

    Pois é. Dizem que em “Uncanny X-Men” vai ser abordada a ideia de que Cytorrak não está muito feliz em perder mais um hospedeiro para outra força externa (Cain Marko foi possuído por um dos “Dignos” em Fear Itself). Mas eu concordo que é uma interrupção meio anti-climática de toda a trama Colossus/Fanático…

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