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Eletronices sem samplers

19.02.05

por Bárbara Scarambone

Moby - Hotel

(Mute, 2005)

Top 3: “Temptation”, “Very” e “Beautiful”

Princípio Ativo:
Moby

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Moby já foi um punk apaixonado por Joy Division, Killing Joke, Echo and Bunnymen, Sisters of Mercy e toda aquela cena punk, pós-punk e cold wave. Aquela onda da década de 80 com uso de guitarras e sintetizadores para criar climas etéreo-existenciais é uma influência óbvia neste novo álbum.

Hotel é o primeiro disco depois do grande sucesso 18, de 2002, que vendeu mais de quatro milhões de cópias. Também é o primeiro álbum sem samplers, gravado e mixado em um pequeno estúdio em Nova York. Moby assina a produção e toca quase todos os instrumentos, exceto a bateria, que fica a cargo de Scott Frassetto. Ele conta também com a vocalista e compositora Laura Dawn (Diretora cultural de eventos do Moveon.org), que participa em duas músicas.

O fascínio de Moby por hotéis é tão grande, que ele lançou o site mobyhotel.com, um hotel virtual completo e dedicado ao álbum. Para ter acesso às músicas devemos fazer um check-in. Com isso podemos também passear pelo lounge, ler jornal no quarto, ouvir rádio, visitar a loja, sala de imprensa e muitas outras coisas legais que ficam espalhadas pelos andares. Genial! Mas não tão genial quanto as frases ditas por Moby em suas entrevistas: “Quando você paga por um quarto, parece que é a primeira pessoa a pisar ali. E ainda assim, no fundo, você sabe que seis horas antes alguém estava fazendo sexo naquela cama, alguém estava terminando com a namorada, outra pessoa estava indo ao banheiro.” A divertida paranóia vai além: “As coisas mais íntimas acontecem em hotéis, mas eles parecem bastante anônimos. A cada 24h o hotel é arrumado. Isso pode soar estranho, mas acho que de alguma forma é análogo à condição humana.”

Hotel é um álbum eclético e ainda assim completo, como só ele sabe fazer. É eletrônico e é cheio de baladas românticas e hits de pista. Moby canta em 12 das 14 faixas, sendo duas instrumentais e duas em dueto com Dawn. Ele fala sobre sentimentos crus, com uma simplicidade tão verdadeira que emociona. Fala também de leve sobre política em “Beautiful” e “Lift me up”, amor e luxúria em “Where You End”, “Homeward Angel”, “Forever” e “Love Should”, mas sem esquecer de onde ele veio, com a dançante “Very”, que me lembrou os remixes feitos para New Order, Orbital e Pet Shop Boys. Moby ainda tem tempo para homenagear seus amigos e ídolos do New Order (em uma versão adocicada de "Temptation") e David Bowie (na faixa “Spider”). Discão!

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