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New-metal requebra

19.02.05

por Rodrigo Ortega

Linkin Park e Jay Z - Collision Course

(Warner, 2005)

Numb/Encore, Jigga What/Faint, Big Pimpin/Papercut

Princípio Ativo:
Reciclagem

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Nestas férias tive a infeliz idéia de freqüentar uma academia de ginástica. Ficava sempre com cara de poucos amigos e a TV sempre no programa da Ana Maria Braga. Numa segunda-feira chuvosa cheguei mais cedo que todo mundo e liguei na MTV. Especial Linkin Park e Jay-Z ao vivo. “Posso mudar de canal?” foi a pergunta da primeira dondoca que chegou, já com o controle na mão. Nem gosto muito de Linkin Park e de rap, mas vingativo com sou, respondi: “Não, eu estou assistindo”, dando gargalhadas internas da cara de ódio da tia.

Linkin Park pode até ser legal para ambientes como a tal academia ou a vida de um norte-americano de 14 anos. A mistura com o hip-hop de Jay-Z neste Collision Course deixou o som ainda mais facinho para os metal-kids e menos irritante para quem não curte os refrões raivosos da banda californiana. “Numb/Encore” já é hit nas rádios jovens e CD players dos adolescentes que andam com uma nuvenzinha negra em cima da cabeça, e o novo single, “Jigga What/Faint” também promete bom desempenho no Disk MTV.

Collision Course é uma coletânea de “mash-ups”, ou “músicas híbridas”, gravações que rolam há alguns anos pela Internet fundindo duas canções em uma só, como “Genie in a Bottle” da Christina Aguilera com “Last Nite” dos Strokes, ou o Grey Album do DJ Danger Mouse, que juntava as músicas do White Album dos Beatles com as do Black Album, do Jay-Z. Essas versões piratas se tornaram tão populares que o rapper e os roqueiros espertinhos resolveram investir nelas.

O disco confirma a habilidade do Linkin Park para reciclar seu próprio trabalho, já que dos cinco álbuns já lançados pela banda apenas dois são de músicas inéditas. São doze canções cuidadosamente fundidas em seis, todas em versões ao vivo e de estúdio.

“Big Pimpin/Papercut” dá algum sentido pro trabalho todo, ao levar o ritmo quebrado do hit de Jay-Z para o rock quadradão do Linkin Park. O hip hop no som da banda não é novidade, já que eles têm um vocalista exclusivo para as “partes raps” das músicas, Mike Shinoda. Mas Jay-Z traz bases e versos bacanas que vão além do despejo de dezenas de palavras por segundo, como em “Jigga What/Faint”. Ponto para ele.

Nas outras faixas, como “Points of Authority/99 Problem” e o hit “Numb/Encore” o rapper não acrescenta nada de significativo, além de barulhinhos e uns versos com a voz grave, ao rock bem produzido e mal humorado dos californianos. Quem sabe nos próximos discos, talvez no acústico em espanhol, ou no de versões orquestradas ao vivo, eles se saiam melhor?

O rapper e o roqueiro sendo amigos

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