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Camerontown. Clairetown. Poptown. Greatown

04.11.05

por Daniel Oliveira

Tudo acontece em Elizabethtown

(Elizabethtown, EUA, 2005)

Dir.: Cameron Crowe
Elenco: Orlando Bloom, Kirsten Dunst, Susan Sarandon, Alec Baldwin, Judy Mcgreer, Jessica Biel, Paul Schneider, Bruce McGill

Princípio Ativo:
Cameron Crowe, suas músicas e musas

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“Tudo acontece em Elizabethtown” não é uma revolução estética. Nem vai, necessariamente, mudar sua vida. 10 desculpas para, mesmo assim, achá-lo um dos melhores – pelo menos, mais fofos – filmes do ano:

1- “I’m fine”: A história de Drew (Orlando Bloom, de “Cruzada”), um designer que descobre o que é fiasco, ao dar um prejuízo de 1 bilhão de dólares para sua empresa. No mesmo dia, ele tenta se suicidar e seu pai morre. Drew descreve a situação, sutilmente, através dos “últimos olhares” das pessoas. Quem nunca teve um péssimo dia na vida?

2- “...but I’m impossible to forget”: A simples existência de Claire (Kirsten Dunst, de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”), uma aeromoça que Drew conhece no vôo para buscar o corpo de seu pai, na cidade-título. Se você pensou que Dunst não poderia ser mais carismática que a Mary Jane de “Homem aranha”, ou que Cameron Crowe não faria uma personagem mais fofa que a Penny Lane, de “Quase famosos”, prepare-se. É difícil escolher sua melhor cena: a da “teoria dos nomes”; a saída do quarto de Drew pela manhã; no telefone, quando ele pensa que ela está no Havaí; a locução em off, no final. Apaixonante.

3- “I can turn a gray sky blue”: Crowe, mais uma vez ao lado de sua mulher, Nancy Wilson, na trilha sonora. De Ryan Adams a Fleetwood Mac, clássicos do rock’n’roll deixam o público atento com um largo sorriso. Ele ainda ressuscita outra pérola de Elton John, assim como Tiny Dancer em “Quase famosos”. Dessa vez, é “My father’s gun”, em uma das cenas mais bonitas do filme.

4- “I have friends!”: É um filme de Orlando Bloom, sem arcos, flechas, capas e espadas.

5- “We’re not from California”: O talento cômico de Crowe, discípulo aplicado de Ernst Lubitsch e Billy Wilder. Lá pela terceira vez que a piada da Califórnia é repetida, é impossível não rir.

6- “We’re thinking of cremation”: A capacidade do filme de tocar em ritos como morte, casamento, sucesso / perda do emprego, família - fazendo refletir sobre cada um desses tópicos, sem ser pedante ou criar rótulos.

7- “We peaked on the phone”: A conversa de Drew e Claire pelo telefone que, apesar de muito fofa, só deixa você pensando uma coisa: “Meu Deus, a conta!”

8- “A boner!”: O sapateado de Hollie (Susan Sarandon), mãe neurótica de Drew, ao som de “Moon River”, em homenagem ao falecido marido.

9- “This way, please!”: O pássaro em chamas e a hilária performance de aeromoça de Claire, em meio ao caos.

10- “Don’t forget: 60B”: A viagem final: o melhor presente que uma pessoa pode dar a outra, numa versão extrema das famosas “mixed tapes”. Algo que pode ser um recado para os EUA de hoje - a resposta para suas angústias está lá dentro e não no Oriente Médio. Ou só uma seqüência simples e deliciosamente pop.

”Tem certeza que eu não posso usar um arco e flecha pra resolver os problemas?”

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