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De volta para o drama-besteirol

14.08.06

por Braulio Lorentz

Click

(Estados Unidos, 2006)

Diretor: Frank Coraci
Elenco: Adam Sandler, Kate Beckinsale, Christopher Walken, David Hasselhoff, Henry Winkler, Julie Kavner, Sean Astin

Princípio Ativo:
Tecla “repeat†do controle

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Nada é novidade no novo trabalho de Adam Sandler. Ele está com o controle nas mãos, tenta mudar o canal, mas continua na mesma. O diretor Frank Coraci é velho conhecido de Sandler e tem no currículo outros trabalhos nos tempos em que o ator era “O Rei da Ãgua†e o cantor de casamentos do filme “Afinados no Amorâ€. Os roteiristas Steve Koren e Mark O`Keefe são especialistas em tramas com personagens principais onipotentes e onipresentes: os dois escreveram o roteiro de “Todo Poderosoâ€, estrelado por Jim Carrey. Koren também foi co-produtor e roteirista da série “Seinfeldâ€.

Não tem como não ligar os pontinhos que unem de um lado Carrey e de outro Sandler, “Brilho Eterno†em uma ponta e “Embriagado de Amor†noutra, “O Mentiroso†versus “O Paizão†etc. Nesses e em outros confrontos, quase sempre quem se dá bem é o dentuço mais famoso de Hollywood. Ou seja, Jim Carrey, porque Adam Sandler pode ser sem graça, gordo e preconceituoso, mas não tem facetas de porcelana desproporcionais nos dentes. Entretanto, ele tampouco possui tantas facetas artísticas como Carrey.

Para não variar a história dos pontinhos, “Todo Poderoso†é (sobre)naturalmente melhor do que “Clickâ€. Sandler é o arquiteto Michael Newman, mais um homem simlpes, bobalhão, boa praça e estouradinho no histórico do ator. Ele não tem tempo para a família e ganha do cientista maluco Morty (Christopher Walken) um controle remoto universal. Com o brinquedinho, Newman altera o futuro, muda o presente e faz do filme uma versão rasa da trilogia De Volta Para o Futuro. Walken nos remete ao Dr. Brown interpretado por Christopher Lloyd.

Quem espera uma comédia besteirol, pode se surpreender com os contornos de drama de “Clickâ€. Eles são os responsáveis por salvar a película. Ao menos era o que tudo indicava até pouco antes do desfecho.

O final é o mesmo que eu sempre usava quando não sabia como amarrar as histórias e terminar minhas redações no começo do ensino fundamental. Quando tinha dez ou onze anos, e necessitava de algo que amarrasse as pontas, sempre colocava nas páginas do caderno a artimanha que Koren e O`Keefe colocaram na tela grande. É ver o filme para conferir.

Ao menos, “Click†rendeu aquele que talvez seja o melhor texto sobre lançamentos de filmes que li nos grandes jornais. Procure pela reportagem escrita pela jornalista Flávia Guerra, do Estadão.

Perto de outros todo-poderosos Sandler fica assim, pequenininho...

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