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19.03.09

por Renné França

The Spirit - o filme

(EUA, 2008)

Dir: Frank Miller
Elenco: Gabriel Macht, Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson, Eva Mendes, Jaime King, Eric Balfour

Princípio Ativo:
estilo sem conteúdo

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Faltou humor. Ou talvez drama. Quem sabe um pouco mais de fantasia? Ou de realismo? O que não falta, com certeza, é estilo. “The Spirit”, adaptação para os cinemas da HQ criada por Will Eisner em 1940, é um belo exercício visual, mas peca no conteúdo.

A história de Denny Colt, policial dado como morto que retorna com outra identidade (Robocop Spirit) para auxiliar a polícia na investigação de crimes, já havia sido adaptada em um obscuro filme para a TV de 1987. A nova versão traz cenários virtuais, grandes estrelas e a batuta do papa dos quadrinhos - e amigo pessoal de Eisner - Frank Miller.

Como era de se esperar, o roteirista e desenhista (e agora diretor) cria uma obra esteticamente deslumbrante e detalhista. Os enquadramentos homenageiam não apenas a HQ original, mas outros quadrinhos (incluindo uma certa revista com um certo Dr. Manhattan).

A Central City do filme, das bocas de lobo aos prédios rachados, é uma cópia impressionante da desenhada por Eisner. Gabriel Macht é o próprio Spirit e o longa ainda conta com o maior desfile de pin-ups de uma adaptação cinematográfica (Scarlett Johansson, acredite, é facilmente ofuscada pelo furacão chamado Eva Mendes).

Mas faltou ao esteta o pulso de narrador. As aventuras do herói mascarado ficaram famosas por explorarem diferentes gêneros narrativos, variando sempre de estilo de uma história para outra. Spirit já passeou pelos contos policiais, horror, ficção científica, contos de fadas, mitologia, narrativa romântica. Miller busca misturar um pouco de tudo em seu filme, sem se decidir por um gênero específico.

A ambientação fake cria um universo de exageros e afetações personificado no vilão interpretado por Samuel L. Jackson que, a princípio, combinaria com a leveza das histórias do personagem. Mas Miller, especialista em criar tipos durões em ambiente violentos, erra a mão ao misturar - de maneira nem um pouco orgânica - o noir de “Sin City” com o fantástico dos primeiros Batman. O resultado é que nem as piadas funcionam, nem a violência mete medo. Falta uma grande cena de ação e os longos monólogos explicativos, típicos de HQs, tornam o filme arrastado. Fica tudo pelo meio do caminho.

Bela homenagem visual ao cinema e aos quadrinhos dos anos 40 (apesar de não se passar em uma época específica), “The Spirit” ainda mistura diálogos dignos de 007 com o misticismo de “O Sombra”. Essa salada, tão bem preparada pelo mestre Eisner, desanda nas mãos do mestre Miller, divertindo sem chegar aonde se propõe. É um – quase - bom filme. O que, levando em conta os envolvidos, é pouco demais.

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Olha ali o Milo de 24 horas semi-escondido no fundinho!

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