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Grey’s anatomy 7×18 Song beneath the song

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2 de abril de 2011

Receituário, TV

Ok, vamos começar deixando bem claro: o episódio NÃO funcionou. Nem um pouco. Nem de longe. Nem com muita boa vontade.

Um dos grandes méritos de “Grey’s anatomy” (pelo qual eu já declarei minha admiração) é a ótima seleção musical e a forma imperceptível e matemática como as canções são usadas na série. O que Song beneath the song fez foi exatamente jogar essa harmonia pela janela e criar um caos em que música, diálogos e drama se sobrepunham, tornando impossível o envolvimento do espectador com qualquer um deles, ao invés de potencializar a narrativa.

Entre os principais problemas, estava o fato de que nada menos que 10 (!!!) canções clássicas de “Grey’s” foram selecionadas para o musical. Em média, um episódio do seriado conta com quatro ou cinco. Quando Callie entoou somente o refrão de Cosy in the rocket (música-tema da abertura das três primeiras temporadas) como deixa para a logo inicial, eu achei que a coisa pudesse até funcionar. Mas aí começou a bagunça.

Em meio à primeira intervenção cirúrgica em Torres, Chasing cars se sobrepôs aos já complicados diálogos técnicos e:

1- Você não sabia no que prestar atenção – nas falas ou nos personagens cantando no meio da operação;
2- Com isso, não entendia o que estava acontecendo com Callie e, portanto, não conseguia se envolver emocionalmente;
3- Chandra Wilson foi a única que conseguiu realmente permanecer na personagem enquanto cantava. O resto soou simplesmente forçado.

Mesmo assim, Bailey recebeu um dos piores números musicais da noite logo em seguida, numa péssima e deslocada versão para a ótima Wait, do Get Set Go.

A voz de Chyler Leigh foi até adequada, mas a versão de Breathe (2 AM) foi melodramática, exagerada e se alongou demais, mesmo problema de How we operate. Aliás, quando Owen começou a bela música do Gomez, no meio de uma discussão médica seriíssima, os outros atores não tiveram outra opção que não olhar para ele com expressões de: “Sério, por que você está fazendo isso?”.

E eis aí a outra grande falha de Song beneath the song: a cantoria impedia que qualquer storyline ou diálogo interessante se desenvolvesse. O embate agressivo (e ofensivo) entre Mark e Arizona foi interrompido por Wait. A conversa hilária entre Meredith, Cristina e Alex sobre a maldição do Seattle Grace Mercy Death teve ao fundo o constrangimento de How we operate. E isso em um dos poucos episódios escritos pela melhor roteirista da série, a criadora Shonda Rhimes.

A mesma mulher capaz de colocar uma bomba e exterminar metade do hospital em um tiroteio (fazendo você ficar triste pela morte de um babaca como o Charles) entrega um roteiro preguiçoso e incompleto, que parece ter sido feito às pressas para acomodar o maior número de músicas possível. (Hello, “Mamma Mia!”). Aparentemente, a única storyline do episódio que deve retornar nos próximos é um atrito entre Yang e Teddy, surgido ABSOLUTAMENTE do nada: Cristina ressuscitar Burke a essa altura do campeonato soou completamente forçado e a atitude de Altman ao final, recusando-se a ensinar a residente, mais ainda.

No meio disso tudo, uma bela cena entre Meredith e Derek no elevador. Boas performances de Eric Dane e Jessica Capshaw. Uma aparição completamente sem sentido e desnecessária da Dra. Addison Montgomery para dizer duas linhas e ir embora. Uma alucinação musical vergonhosa e completamente fora de lugar (ironicamente da melhor versão cantada pelo elenco, Running on sunshine, que talvez pudesse ter funcionado no fim do episódio). Um único momento em que a coisa parecia começar a funcionar, durante a segunda cirurgia ao som de How to save a life.

E eu pedindo desesperadamente para eles salvarem Callie logo porque se Sara Ramirez começasse a cantar mais uma música, não importa quão bonita a voz dela seja, eu ia parar de assistir. Em seu último número, cantando The story, o episódio e a atriz literalmente gritaram: “NA NOSSA SÉRIE, A MÚSICA É UMA METÁFORA PARA O PODER DE CURA DA MEDICINA!!!”. Sério, depois de sete temporadas, a gente ainda não tinha percebido.

Resta esperar para ver se “Grey’s anatomy” vai saber how to save a season no próximo episódio e voltar ao bom ritmo que a temporada vinha apresentando.

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6 Comments For This Post

  1. Kari Says:

    Concordo com tudo e até agora me pergunto: Pra quê isso Shonda?

  2. lu dias Says:

    pior episodio de greys da história!!!! muita vergonha alheia, so cheguei ate o final dando forward nas musicas. e ó que eu até simpatizo com glee.

  3. viviane Says:

    Eu concordo em partes. Adorei a escolha das músicas, mas sim, também fiquei confusa com os momentos que eles falavam e cantavam ao mesmo tempo. Teria sido um excelente episódio se não fosse musical; Mas, como foi, aí foi bom, apenas

    Achei até válida a intenção, contanto que não se repita rs

  4. Ana Says:

    Eu ja gostei, claro que teve horas que irritou, mas na verdade a cantoria seria a visão da Callie. Mas prefiro a versão Gray´s Anatomy normal, sem ser musical.

  5. Diana Says:

    Eu não concordo… eu gostei do episodio, e acho que se tivesse duas horas de cantoria ainda teria achado pouco, tirando a parte da cantoria misturada com as falas dos personagens, mas eu entendii tudo…… eu senti o proposito da Shonda, relembrei, cantei junto e me emocionei…
    a shonda ousou e pra mim acertou…

  6. camila Says:

    Eu sei que tiveram momentos confusos mas vc já fez alguma serie reconhecida mundialmente?
    pode ter certeza que a Shonda Rhimes sabe o que faz.

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