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O Voo

por

7 de fevereiro de 2013

Cinema, Receituário

Flight

EUA, 2012

  • Dir: Robert Zemeckis
  • Elenco: Denzel Washington, Kelly Reilly, Nadine Velazquez, Don Cheadle, Bruce Greenwood, John Goodman

Avaliação: ★★★★☆ 

Eu queria dizer que “O Voo” tem um roteiro perfeito, onde nada está lá por acaso e que deve se prestar muita atenção em tudo (tudo mesmo!), porque todas as informações serão importantes lá na frente. Mas não dá. Há algumas pontas soltas que não são fechadas e personagens que parecem muletas para resolver situações ocasionais. Não, “O Voo” não é perfeito. Mas é quase.

A mais do que aguardada volta de Robert Zemeckis aos filmes “normais” (leia-se: que não são motion capture) é um thriller centrado em um personagem fascinante e que te deixa tenso do início ao fim. Para muitos pode parecer que começa pelo clímax e só cai a partir daí, mas é o contrário. Apesar de abrir com uma espetacular cena de ação, a viagem de “O Voo” não está no ar, mas bem em terra mesmo. Na verdade, o que o longa mostra é que impedir a queda do avião foi o mais fácil.

Denzel Washington está espetacular como Whip Whitaker, um experiente piloto de voos comerciais que consegue fazer uma manobra impossível para diminuir as fatalidades de um acidente (desde já uma das grandes sequências do ano). Da noite para o dia se torna um herói, mas o problema é que ele é alcoólatra e, pior, estava drogado durante o voo. Uma investigação a respeito de sua dependência química pode mudar tudo e mandá-lo para cadeia pela morte de seis pessoas (apesar de ter salvo mais de 90).

- Calma pessoal, eu sei que fui indicado, mas não sou o favorito ao Oscar de melhor ator ....
- Calma pessoal, eu sei que fui indicado, mas não sou o favorito ao Oscar de melhor ator ....

Zemeckis equilibra bem a tensão (a cena do frigobar é de trincar os dentes), oferece uma trilha sonora de clássicos empolgantes e acerta ao jogar todo o filme nas costas de Washington, que carrega tudo de forma impressionante. Seu Whip é real, com qualidades e defeitos que poderiam ser de qualquer um: o que é fundamental para nossa identificação com esta contradição ambulante (ao mesmo tempo em que possui um moderno iPhone, por exemplo, ele escuta músicas em fitas cassetes). É a partir dele que vai se organizar a discussão entre o que é ser herói e o que é ser vilão, com o roteiro de John Gatins interessado em detalhes que fazem toda a diferença.

Mas há alguns problemas como Nicole (Reilly), a mulher que representa um recomeço na vida do piloto e que desaparece sem maiores explicações mesmo tendo sido apresentada junto com o protagonista no início da projeção (e o indício de uma subtrama envolvendo filmes pornôs também fica pelo caminho). E se Whip é real, o Mays de John Goodman é como uma fada madrinha, aparecendo e desaparecendo segundo convém à história.

Mas os acertos são muito maiores do que os erros, e é bom prestar atenção como toda a narrativa da jornada do personagem de Washington vai se estruturar a partir da forma como o voo que abre o filme evoluiu: turbulência, calmaria e queda (há até uma referência ao automático substituído pelo manual). Já a “manobra impossível” parecia ser um diretor como Zemeckis junto de um ator como Washington fazerem um filme ruim. Não fizeram.

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