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Pelo prazer de gritar: Die, motherfucker!!!

15.09.06

por Daniel Oliveira

Abismo do medo

(The descent, Reino Unido, 2005)

Dir.: Neil Marshall
Elenco: Shauna Macdonald, Natalie Mendoza, Alex Reid, Saskia Mulder, MyAnna Buring, Nora-Jane Noone

Princípio Ativo:
medo. Muito medo.

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Merda acontece. É esse o princípio dos filmes de terror. Veja o caso de “Abismo do medo”: seis amigas que gostam de esportes radicais e viajam para explorar uma caverna no meio dos EUA.

Ato 1: elas descobrem que o lugar nunca tinha sido explorado antes. Ato 2: talvez tenha, o que é ainda pior. Ato 3: as coisas começam a dar errado. Ato 4: fechamento da bolsa de apostas para ver qual beldade vai pro saco primeiro. Ato 5: você grita pela sua mãe.

Não precisa de criancinhas japonesas cabeludas (re) made in Hollywood, com qualidade de importado de 1,99. Nem serial killer clichê comprado na loja de conveniência mais próxima. Nem fantasmas nem monstros que, se assustavam no original da década de 70, hoje são risíveis.

O que “Abismo do medo” tem é um grupo de pessoas em uma situação real, que dá (muito) errado. E dá (muito) medo. O diretor Neil Marshall fez uma obra rara de terror, que começa só sugerindo: o escuro claustrofóbico da caverna, a trilha macabra, o clima de “isso vai dar merda” – emprestado de clássicos como “Alien” e “O iluminado”. E deságua em uma carnificina regada a muito sangue, no melhor estilo George Romero.

Os elementos clássicos do gênero - o corte repentino, os efeitos sonoros, as idiotices desorientadas – refletem a situação das personagens. No escuro, qualquer imagem parece surgir do nada, e qualquer barulho é reforçado pelo eco da caverna. E funciona. Tanto que em uma cena na qual Juno - uma das mocinhas - consegue abater um inimigo, todo o público da sessão em que eu assisti ao longa bateu calorosas palmas, extravasando a tensão e o medo

O roteiro bem amarrado trabalha suas personagens, ao invés de tratá-las como uma fila de corpos a serem mutilados. Até a cena-susto do início – clichê clássico do terror, para avisar ao espectador o que lhe espera – tem um porquê desdobrado no final. Sem contar o conhecimento que Marshall apresenta do gênero. O cineasta inglês parece criar uma disputa para ver quem, dentre as seis, será a Ripley dos anos 00. A cereja no topo do bolo é a cena em que Sarah surge de uma poça de sangue, citando “Apocalypse now”. E claro: muito medo. Medo de verdade, sem risinhos debochados – que te faz encolher na poltrona e gritar desesperado.

Como se não bastasse, “Abismo ...” tem uma das melhores cenas finais dos últimos tempos, em que Marshall mostra que, saindo ou não, elas sempre estarão presas naquela caverna. É o plano que diferencia um clássico do gênero de uma boa série de sustos. É o tipo de imagem que, ao sair da sessão, te deixa com um último medo: o de que você, também, nunca consiga sair dali.

Manhêeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!

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