Busca

»»

Cadastro



»» enviar

É disso que as mulheres gostam?

22.12.06

por Daniel Oliveira

O amor não tira férias

(The holiday, EUA, 2006)

Dir.: Nancy Meyers
Elenco: Kate Winslet, Cameron Diaz, Jude Law, Jack Black. Eli Wallach, Rufus Sewell, Edward Burns

Princípio Ativo:
água, açúcar, neve e panetone

receite essa matéria para um amigo

Cara Pri K,

Como vão as coisas por aí? Espero que estejam bem. Escrevo porque, como sempre, preciso de sua ajuda. Acredito que você tenha mais propriedade no assunto do que eu. Algo me incomoda desde que assisti a “O amor não tira férias” na última terça: as mulheres realmente acreditam naquela água-com-açúcar toda?

Por favor, responda: elas realmente crêem que se passarem uma temporada de férias numa pequena e charmosa cidade no interior da Inglaterra, encontrarão o Jude Law e se apaixonarão loucamente? E mudarão sua vida? Sério?

Sei que não somos chatos de galocha e não temos nada contra comédia romântica, desde que bem feita. Ambos assistimos a “Grey’s anatomy” e adoramos uma sessão-comentários depois. Mas esse filme novo da especialista Nancy Meyers (aquela de “Alguém tem que ceder”, você viu?) é muito bobo e fraquinho.

Ok: as cenas em que a Amanda (Diaz) escuta sua vida sendo narrada como um trailer hollywoodiano são legais, já que ela é uma produtora workaholic desses mesmos trailers. Aliás, o filme de mentirinha com Lindsay Lohan e James Franco parece ser bem engraçado.

Mas a Cameron Diaz é muito ruim. Está histérica, afetada (e careteira, como sempre). E a Kate Winslet (ela me lembra você!), que é ótima, é mal aproveitada. A Iris, personagem dela, vai para Los Angeles e conhece um roteirista dos anos dourados de Hollywood. O encontro dos dois é uma desculpa para Meyers brincar de metalinguagem (assim como nos trailers acima) e despejar sua admiração pelas comédias românticas clássicas, citando Ernst Lubitsch e Billy Wilder.

Mas é um tiro que sai pela culatra, já que lembrar desses dois faz os diálogos de “O amor não tira férias” parecerem ainda mais fracos. Principalmente na cena em que Iris dá um fora no ex-namorado cafajeste. E ainda piora: parece que, depois de escrever todo o roteiro, Meyers se arrependeu de deixar Iris sem um par romântico e enfiou o personagem do Jack Black ali. É pouco inspirado e desnecessário, como naquela outra comédia-romântica-de-natal que você também não gostou.

Tento não ser chato: a produção é bacana – trilha, edição, figurino, fotografia. Mas nem o elenco estrelado disfarçou a falta de inspiração. A propósito, você já viu o Jude Law mais canastrão (rs)? Se aí no Canadá, no meio do White Christmas todo, você achar respostas que façam esses filmes terem mais sentido e parecerem menos oportunistas, envia para mim, por favor?

Aqui embaixo, acredito que “O amor não tira férias” só vai funcionar para quem acabou de levar um pé na bunda antes do natal, ou para quem não comeu açúcar suficiente nas ceias de final de ano.

Diaz: “Se você acha que essa cara é charmosa ou sexy, está beeeem enganado...”

» leia/escreva comentários (4)