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Comando para matar (um filme)

07.01.07

por Daniel Oliveira

Diamante de sangue

(Blood diamond, EUA, 2006)

Dir.: Edward Zwick
Elenco: Leonardo Dicaprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Kagiso Kuypers, David Harewood

Princípio Ativo:
Dicaprio & Hounsou

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Existem diretores que buscam um olhar próprio mesmo nos roteiros mais improváveis e tentam ao máximo escapar dos clichês. E existem outros que não.

Infelizmente para “Diamante de sangue”, Edward Zwick se encaixa na última categoria. O diretor apresenta uma falta de criatividade retumbante e cai em várias armadilhas de principiante que fazem um filme, que poderia ser bem interessante, parecer quase mais chato que “O último samurai”, seu último trabalho.

Os equívocos já começam fora do filme. Apesar do cartaz, e do próprio Zwick, tentarem convencer (por motivos óbvios) que o protagonista da história é o contrabandista Danny Archer (Leonardo Dicaprio), a linha-mestra do filme é Djimon Hounsou. Ele é Solomon, um pescador de Serra Leoa que tem a família seqüestrada pelos rebeldes da Força Unida Revolucionária e é obrigado a trabalhar como garimpeiro.

Ele encontra um enorme diamante, que desperta o interesse de Archer. O contrabandista, por sua vez, é perseguido pela jornalista Maddy Bowen (Connelly), atrás de uma história bombástica sobre a indústria dos diamantes-título. Emboscados na guerra civil entre rebeldes e governo, os três se ajudam para conseguir, respectivamente, a família, o diamante e a matéria.

Dicaprio e Hounsou abraçam seus papéis com visceralidade e paixão, carregando o filme nas costas. Connelly simplesmente bate ponto: bonita e correta em um papel-clichê de “consciência” de Archer – e que piora quando se torna seu interesse amoroso. O idealismo de Maddy e as cenas que ela divide com o contrabandista soam falsos, superficiais e desnecessários.

Já Zwick abraça todos os clichês que encontra pela frente: do romance barato (a “cena da mão” entre Maddy e Archer é sofrível), ao “videoclipe de rap”, após um ataque rebelde que mata milhares de civis. O editor Steven Rosenblum (parceiro de Zwick) ainda insiste em cortar a cada cinco segundos, privilegiando um ritmo de ação em detrimento das boas atuações.

Esse estilo de bombas e tiros a torto e a direito, aliás, são o tiro de misericórdia de Zwick em um filme que se dispõe a discutir um assunto sério – os diamantes-título são comprados pelas nações ricas e financiam a guerra civil na África – que, nas mãos do diretor, quase se torna um blockbuster de verão. Enquanto seqüências de ação parecem ser cuidadosamente trabalhadas, os diálogos são exageradamente explicativos, contando algo que uma boa direção deveria suprir.

O irônico é que a história do filme é a mesma do artigo de Maddy. E é verdade: o filme de Zwick tem a mesma profundidade de uma reportagem de revista. Para isso, existem as reportagens de revista.

Dicaprio e Hounsou: “Zw...o quê? Quem chamou esse cara?”

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