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Wolve-rambo ou Ramberine?

30.04.09

por Daniel Oliveira

X-Men Origens: Wolverine

(EUA/Austrália/Canadá, 2009)

Dir.: Gavin Hood
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Lynn Collins, Taylor Kitsch, Ryan Reynolds, Will.i.Am, Dominic Monaghan

Princípio Ativo:
Wolverine/Dentes de sabre, Jackman/Schreiber

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Trilogia de sucesso retorna com pré-sequência bem mais melodramática, convencional e centrada em seu personagem mais icônico, que pode impulsionar mais dois filmes nos mesmos moldes*.

Parece, mas não é: podia ser uma chamada para a segunda (ou primeira?) trilogia de “Star wars”, só que estamos falando de “X-Men Origens: Wolverine”.

(Mesmo que, logo no início do filme, uma cena no melhor pior estilo “Luke, I’m your father” faça o espectador se questionar se é mesmo um longa dos X-Men que ele está assistindo).

As HQs dos mutantes sempre foram - ou quase sempre, pelo menos – conhecidas pelo seu tom realista, pouco melodramático e até mesmo politizado. No filme do diretor Gavin Hood, porém, ele só é sentido na sequência de créditos em que Wolverine (Jackman) e Dentes de Sabre (Schreiber) lutam em várias das guerras dos últimos 150 anos, ou nas cenas (bem lugar-comum) do coronel William Stryker (Huston) com militares norte-americanos.

Os créditos, aliás, deixam no ar a questão: será uma tendência fazer sequências de abertura quase geniais para filmes medianos? Tem até referência ao desembarque inicial de “O resgate do soldado Ryan”. No resto, o roteiro de David Benioff e Skip Woods abusa de todos os clichês de dramalhões pessoais, perdas irreparáveis e famílias partidas, sem oferecer nada de original ao filão.

Na história, Logan e Victor Creed são irmãos que, após uma tragédia doméstica, crescem como máquinas de matar. Quando passam a integrar o grupo de ‘assassinos especiais’ do cel. Stryker, Logan começa a discordar dos métodos violentos e isola-se em uma vida bucólica no campo. Depois que Creed/Dentes de sabre mata sua esposa, ele aceita ser cobaia de uma experiência que mescla seu esqueleto a Adamantium, assumindo o codinome Rambo Wolverine e partindo em busca de vingança.

O tom mais intimista seria até compreensível, já que se trata de um filme centrado em Wolverine - caso fosse benfeito. Mas, além de retirar o citado tom político dos três longas originais (e das HQs), o filme de Hood sacrifica outros personagens em função disso – Gambit tem uma cena ridícula em que interrompe uma luta sem motivo aparente e Blob é vítima de uma sequência cômica deslocadíssima e sem graça nenhuma. (Sem contar a presença de Will.i.Am no elenco).

“X-Men Origens: Wolverine” funciona bem nas cenas com Jackman e Schreiber, em encarnações viscerais da rivalidade entre Wolverine e Sabre, e no terço final que abandona o roteiro ruim e parte pra pancadaria. Mas vai entrar para a cinessérie dos mutantes como o mais fraco até agora. Pelo menos não tem Jar Jar Binks.

* X-Men Origins: Magneto e X-Men: First class.

Mais pílulas:
- Os meus, os seus e os nossos X-Men
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Quem já apareceu mais sem camisa em filme: Jackman ou Matthew McCounaghey? A resposta aqui.

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