Senna

Nossa avaliação
Senna (2010)
Senna poster Direção: Asif Kapadia
Elenco: Ayrton Senna, Reginaldo Leme, John Bisignano, Neide Senna


O dia 01 de maio de 1994 ficou marcado para toda uma geração. Tornou-se uma data que constantemente levantava a questão: “O que você estava fazendo no dia que Ayrton Senna morreu?”

Eu estava assistindo ao GP de Imola e vi o carro do brasileiro atingindo o muro com violência. A imagem, triste e chocante, é exatamente o clímax de “Senna”, documentário inglês sobre a carreira do piloto na Fórmula 1.

Dirigido por Asif Kapadia, a produção se faz toda a partir de imagens de arquivo. Utilizando os depoimentos apenas com a narração em off sobre as imagens, o diretor consegue um dinamismo interessante, impedindo que as falas tornem o filme cansativo. Exclusivamente elogiosos, estes depoimentos cumprem bem o seu papel de valorizar o Senna herói, homem corajoso e talentoso que conquistou três títulos mundiais.

E talvez aí esteja o principal problema: não trazer grandes novidades para quem acompanhou a trajetória do piloto, ignorando outras versões sobre os fatos que cercaram suas conquistas e derrotas. Sente-se falta, por exemplo, de algum depoimento atual de Alain Prost, o grande vilão do filme, perdendo uma ótima oportunidade de mostrar o outro lado da história.

Apesar de utilizar imagens inéditas de bastidores da Fórmula 1, estas não revelam em si nenhuma novidade: a guerra entre Senna e Prost e as manobras políticas do então presidente da FIA Jean Marie-Balestre já eram conhecidas naquela época e divulgadas na imprensa.

O olhar estrangeiro para o piloto brasileiro preocupa-se demais em mostrá-lo como o maior herói do país, chegando a exibir imagens de intensa pobreza no Brasil em uma tentativa barata de marcar Senna como a exceção que trazia alegria onde só havia tristeza. A generalização não permite espaço para críticas negativas ao piloto e termina por apostar no melodrama nas imagens finais do velório, apresentando uma série de “flashbacks” com o único intuito de provocar lágrimas no espectador.

Funcionando mais como um “Globo Repórter” (e muito do que é mostrado já estava presente no programa especial sobre a morte do piloto) do que como os sinceros documentários “Maradona” e “Tyson”, “Senna” tem mesmo seus melhores momentos quando recupera corridas geniais do piloto.

Estão lá os antológicos GP do Japão de 1988 e o GP do Brasil de 1991, mas ignoram a sensacional chegada do GP da Espanha de 1986 e a espetacular primeira volta do GP da Europa de 1993. Já o GP da Bélgica de 1992, em que Senna parou o carro para socorrer um companheiro acidentado, surge sem contexto já nos créditos finais.

Como documentário, “Senna” não traz novidades e nem problematiza a trajetória do piloto. Mas como homenagem, funciona muitíssimo bem para apresentá-lo às novas gerações e, principalmente, para matar as saudades daqueles que, como eu, o acompanhavam sempre nas manhãs de domingo, ou nas madrugadas de GP do Japão. Com Senna, a Fórmula 1 era outra coisa.

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