Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Nossa avaliação
Saving Mr. Banks (2013)
Saving Mr. Banks poster Direção: John Lee Hancock
Elenco: Emma Thompson, Tom Hanks, Annie Rose Buckley, Colin Farrell


Não é obrigatório ter visto “Mary Poppins” antes, mas a diversão aqui está intimamente ligada às frescas memórias do clássico musical infantil da Disney. “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” – como deixa claro o título brasileiro autoexplicativo com cara de nome de tese – é uma espécie de making of com mais drama e humor do que se vê nos extras de DVDs.

Emma Thompson é P. L. Travers, autora do livro que Walt Disney está obcecado em adaptar para a tela do cinema. Durante 20 anos os dois estiveram em uma nada produtiva negociação pelos direitos autorais da história da babá mágica que muda a vida da família Banks. Até que nos anos 60 Travers finalmente vai a Los Angeles para participar da pré-produção do filme. O principal acerto de “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” é não dourar demais a pílula do estúdio, brincando com o ridículo da eterna alegria Disney. Tom Hanks dá humanidade a Walt, criando uma figura que, apesar de ser o tio perfeito dos americanos, também tem seus momentos de impaciência (mas é óbvio que o estúdio não iria muito além disso para representar seu criador, tomando cuidado para que sua imagem nunca seja minimamente arranhada).

Praticamente um outro filme dentro do filme sobre um filme.

O grande trunfo da produção é que a química Thompson-Hanks funciona, e do conflito de personalidades surgem os melhores momentos do filme. Os coadjuvantes estão muito bem – com destaque para um Paul Giamatti infelizmente pouco aproveitado – e as músicas do “Mary Poppins” original ainda têm seu encanto. O problema é que o diretor aposta em uma trama paralela no passado que parece deslocada de tão diferente do filme que estamos assistindo. O flashback estrelado por Colin Farrell é melodrama puro, com cara de novela misturada com filme para TV. Apesar de importante para compreendermos a protagonista e, principalmente, sua obra, o recurso na maioria das vezes é a parte canseira da história, mesmo que funcione em momentos pontuais. Já na trama principal, a utilização do Mickey para marcar as transições no arco dramático de Travers peca pela total falta de sutileza, apesar de divertida.

“Walt nos Bastidores de Mary Poppins” é divertido e emocionante. Deve agradar mais aos cinéfilos curiosos, mas sua mistura de fofoca dramática com estudo de personagem e comédia pode surpreender quem não se interessa por bastidores de Hollywood e quer apenas uma história bobinha para se divertir. E é bem isso o que o filme é. Uma história bobinha, bem feita e bem agradável. Bem… Disney.

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