Boyhood

Nossa avaliação
Boyhood (2014)
Boyhood poster Direção: Richard Linklater
Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Elijah Smith, Lorelei Linklater


É raro encontrar um filme que justifique a própria existência do cinema. “Boyhood” faz isso. Ao longo de 12 anos, Richard Linklater (da trilogia “Antes do Amanhecer”) juntou seus atores para filmar a história de uma família, acompanhando Mason (Coltrane) da infância ao início da vida adulta. Mas não se trata de uma família de desajustados, ou mafiosos, ou milionários, ou nada do tipo “emocionante”. São pessoas comuns, com suas vidas comuns, fazendo coisas comuns. Por isso, o personagem principal do filme é mesmo o tempo.

Os atores/personagens envelhecem na nossa frente ao longo de mais de uma década de filmagens, assim como a moda se transforma e a rápida evolução tecnológica dos últimos anos se torna gritante. O diretor é esperto na trilha musical de “época” que acompanha a história, filmando o passado durante o presente, aberto aos valores sociais de cada momento (a mudança da era Bush para o governo Obama, por exemplo).

O tempo passa, o tempo voa...

Se por um lado exagera um pouco na figura dos padrastos, talvez preocupado em criar algum tipo de antagonista claro em sua saga do cotidiano, Linklater consegue desaparecer atrás da câmera, sem malabarismos estéticos e nos colocando completamente identificados com aqueles pais separados, o garoto e sua irmã. O que move “Boyhood” é exatamente a transformação, a mudança que é natural, que vem com o tempo e coloca em nosso caminho pessoas que mudam totalmente a nossa vida para depois serem deixadas para trás.

Qualquer um pode se identificar com o apelo universal da vida familiar, mas quem faz parte da mesma geração de Mason terá um gostinho especial ao se reencontrar com referências que passam por Harry Potter e Crepúsculo. “Boyhood” consegue ser ao mesmo tempo nostálgico e atual, exatamente como somos todos nós, seres do presente formados pelo passado. E o filme é isso, uma obra de arte só possibilitada pelo cinema, pela imagem gravada que enquadra o tempo e o armazena para ser montado e remontado. É por vezes monótono, assustador, engraçado, apaixonante e dramático. Como a vida.

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