The Shins – Port of Morrow

Nossa avaliação

[xrr rating=4/5]

Natalie Portman foi feita para se amar incondicionalmente. Mesmo quando está ficando louca, a ponto de se achar menos perfeita que a (quase perfeita) Mila Kunis, ou levando adiante uma amizade colorida com o babaquinha do Ashton Kutcher, e até quando invoca com as pobres criancinhas e manda elas… (bem, é melhor você mesmo ver o vídeo), Natalie é a nossa musa inspiradora.

Por isso, bastou ela anunciar, em “Hora de Voltar”, de 2004, que uma canção de um tal de The Shins é daquelas capazes de mudar uma vida para que eu e outros súditos procurássemos a banda, já fãs de carteirinha.

E agora cá estamos. Natalie ganhou um Oscar, um marido e um filho (tudo no mesmo pacote de “Cisne Negro”), e o Shins chegou ao seu quarto lançamento, após elogiados discos.

“Port of Morrow” é um álbum de extremos. Ao mesmo tempo em que o nascimento da segunda filha de James Mercer, líder da banda, tornou sua vida doméstica mais importante (palavras do próprio) e serviu de inspiração para as canções, a morte também está presente, logo na próxima curva, já que o nome do álbum veio de uma placa homônima, localizada numa estrada de Oregon, que despertou no compositor a ideia do fim da vida, como se a indicação significasse “Port into Tomorrow”. “Afinal, o futuro de todos nós é a morte”, declarou James numa entrevista – para o bem da criança, esperamos que ele tenha deixado as canções de ninar por conta da esposa.

E os caminhos tortuosos estão nas músicas, mas sempre apontando para locais acolhedores, tal como é ilustrado na capa do disco. A solidão de versos como “My life in a up turned boat / Marooned on a cliff”, em “Simple Song”, e a imagem recorrente de locais obscuros são seguidos pela repetição de elementos expansivos como o mar (“You say time will wash every tower to the sea”, canta Mercer na radiofônica “It’s Only Life”) e a luz do sol.

Ao longo do disco, de sonoridade mais polida que os trabalhos anteriores do Shins que conquistaram Natalie, o tecnológico e o simples convivem juntos, representados pelas pitadas de space rock, presentes em faixas como a explosiva “Rifle’s Spiral”, e pelo violão de “40 Mark Strasse”, cuja paisagem noturna é preenchida por uivos arrepiantes. No flerte com o rock de arena em “Simple Song” (que não é tão simples assim), o peso das guitarras segura a melodia, que tenta escapar espaço afora com suas investidas eletrônicas.

No começo de “40 Mark Strasse”, James pergunta: “Is it all so very simple and horribly complex?”. “Port of Morrow” responde que sim. As canções podem não mudar a sua vida, mas, pelo menos, irão mostrar que ela pode ser bonita, apesar da inevitabilidade da morte.

P.S. A música recomendada por Natalie (e que você, obviamente, irá procurar agora) se chama “New Slang”.

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