A A
RSS

Cisne negro

por

3 de fevereiro de 2011

Cinema, Receituário

Cisne negro

Black swan, EUA, 2010

  • Dir.: Darren Aronofsky
  • Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Barbara Hershey, Vincent Cassel, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo

Avaliação: ★★★★★ 

Perfeição: s.m. 3. grau máximo de bondade ou virtude 7. estado ou condição de quem está livre de pecados.*

“Cisne negro” é a história de uma bailarina em busca da perfeição. Escolhida como protagonista do “Lago dos cisnes”, sua técnica impecável a torna o Cisne Branco ideal. Já para o Cisne Negro, ela precisa abraçar seu lado sombrio, além da sexualidade e sensualidade, com os quais não tem nenhum contato. Mas disso depende a perfeição. Nem que seja necessário perder a bondade e a virtude. Ou pecar.

O diretor Darren Aronofsky usa a voz e os traços quase infantis de Natalie Portman para construir uma personagem frágil, insegura, que ainda dorme em um quarto rosa de bonecas e é totalmente dominada pela mãe (Hershey). O físico assustadoramente longilíneo e a intensa disciplina de Nina são contrastados/ameaçados somente pela sua instabilidade mental e pelo espírito livre e lascivo de Lily (Kunis, claramente escalada devido à semelhança com Portman), sua concorrente na companhia.

Vem, Natzinha, vem pro Lado Negro da Força... Portman deveria ter sido Anakin Skywalker.
Vem, Natzinha, vem pro Lado Negro da Força... Portman deveria ter sido Anakin Skywalker.

“Cisne negro” é um filme de duplos. Além do yin/yang óbvio dos cisnes e de Portman/Kunis, Nina transita basicamente por dois cenários: seu apartamento e o estúdio da companhia onde ensaia. No primeiro, é exaurida mentalmente pela mãe recalcada e castradora, enquanto seu físico se deteriora em estranhas feridas. No segundo, é esgotada fisicamente pelo coreógrafo abusivo Leroy (Cassel), enquanto sua mente perde o controle com estranhas visões e uma sensação constante de perseguição. A ideia dos duplos é marcada também visualmente na onipresença de espelhos. Os reflexos reforçam a dissociação da personalidade de Nina entre o Cisne Branco e o Negro, além de sufocarem ainda mais a protagonista na busca pela perfeição e na sua paranoia.

Filme de terror para mulheres? Tem que incluir espelhos.
Filme de terror para mulheres? Tem que incluir espelhos.

Mas é a câmera de Matthew Libatique e a direção de Aronofsky que dão suporte à atuação de Portman. Sem um universo visual gótico, associado a uma edição de som impecável que permite escutar cada passo (e seu eco), para fundamentar sua expressão constante de medo e tensão, ela soaria simplesmente exagerada. Ao seguir de perto os bailarinos durante a coreografia, Libatique não só torna as sequências de dança mais envolventes, mas se torna também um dançarino com eles, além de outro observador espreitando a protagonista.

Já Aronofsky novamente explora a obsessão viciosa com o corpo em detrimento do espírito/da mente, opondo a ideia de perfeição ao prazer sexual. O extremo controle e a total ausência dele. O inatingível etéreo e a satisfação máxima presente no encontro/equilíbrio entre corpo e espírito. Sem possuir isso, Nina segue o caminho oposto, rumo à deterioração da mente (o que se reflete no seu corpo em decomposição), na busca de uma perfeição que Aronofsky ilustra de forma sublime com sua solução final.

* Dicionário Houaiss.

Tags: , , , , , , , , ,

1 Comments For This Post

  1. Bruna Rios Says:

    Gostei muito do clima do filme, difícil não se envolver com a personagem de Portman. ótima análise sobre o filme, ele é realmente uma busca pela perfeição em todos os sentidos.

Leave a Reply

*

Pílula no Facebook

Enquanto isso, no Twitter

Arquivos

Categorias

-->

resume writing services