ParaNorman

Nossa avaliação

[xrr rating=3/5]

Um filme de terror para crianças. É isso que “ParaNorman” pretende ser. O problema é que é muito sombrio para os pequenos, usa referências difíceis para os que são um pouco mais velhos e é bobinho demais para os adultos. Mas tirando sua indefinição de um público específico, é um bem vindo respiro nas formulaicas animações do ano.

Para começar, trata-se de stop-motion, a artesanal técnica de construção de bonecos que precisam ser animados quadro a quadro. Além disso, o personagem principal não é simplesmente o esquisitão vítima de bullyng. É o esquisitão vítima de bullyng que fala com os mortos. O garoto Norman não é compreendido pela família, vizinhos ou amigos da escola, graças à sua autodeclarada capacidade de ver fantasmas e conversar com eles. Como se isso já não bastasse, ele se vê envolvido em uma maldição secular feita por uma bruxa que vai trazer zumbis de volta à sua pequena cidade.

O filme demora demais para engrenar (apesar da excelente abertura), apresentando personagens que são mais curiosos do que interessantes e um cotidiano no mínimo entediante para quem tem poderes paranormais. Até que finalmente chegamos à cena do cemitério, quando “ParaNorman” começa a dizer a que veio. A partir daí o diretor e roteirista Chris Butler joga todas as referências clássicas de filmes de zumbis e serial killers superpoderosos no liquidificador para construir uma comédia que podia muito bem ter passado em alguma Sessão da Tarde dos anos 80. De repente a produção se torna engraçada, cativante e extremamente interessante em suas críticas sociais ao colocar os tradicionais perseguidores agora como vítimas em um mundo atual de culto à violência e histeria coletiva.

É claro que o obrigatório conflito entre pais e filhos nas animações contemporâneas não poderia faltar, mas aqui a coisa é costurada de forma eficiente, não prejudicando o andamento da história. Mistura de George Romero com Tim Burton, “Convenção das Bruxas”, “Zumbilândia” e “Os Espíritos”, “ParaNorman” desfila referências não só a essas obras mas também a “Halloween” e típicas produções adolescentes. Tirando sarro do melhor – e pior – do terror cinematográfico, o filme é divertido, mas fica no meio do caminho. É assustador demais para as crianças muito pequenas e bobinho demais para quem já tem idade para entender todas as suas referências. Os filhos de Robert Rodriguez devem gostar.

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