Deixe-me entrar

Nossa avaliação

[xrr rating=3.5/5]

Todo mundo fica idiota perto de criancinhas fofas. Quando elas são talentosas, então… é tóxico. Chloë Grace Moretz e Kodi Smit-McPhee somam as duas qualidades. E são a única justificativa para assistir a esse remake quase quadro a quadro do sueco “Deixe ela entrar”, feito exclusivamente para americanos com preguiça de ler legenda.

McPhee e Moretz encarnam com carisma, delicadeza e profundidade os protagonistas Owen e Abby. Eles dão à complexa relação que se desenvolve entre os dois – e ao filme – uma autenticidade que instiga mesmo o espectador que já viu o original e sabe como a história termina. Ele, um garoto isolado, vítima de bullying no colégio e ignorado pelos pais em processo de divórcio. Ela, a estranha garota que se muda para o apartamento ao lado com o “Pai” (Jenkins) e se torna sua única (e melhor) amiga.

Oi, você tá aí?

O diretor e roteirista Matt Reeves segue quase à risca o filme original e o livro do sueco John Ajvide Lindqvist, mudando apenas a locação para Los Alamos, no Novo México, mas mantendo a ação nos anos 80. Ele importa inclusive o enquadramento usado pelo cineasta Tomas Alfredson para a mãe de Owen, sempre cortada do quadro ou vista de longe para retratar seu distanciamento do filho (claramente inspirado no “E.T.” de Spielberg). O pai é apenas uma voz no telefone.

A maioria dos adultos de “Deixe-me entrar”, na verdade, são enquadrados à distância, mais frios, sem a mesma proximidade ou intimidade dos dois infanto-protagonistas. Visualmente, Reeves traz pouca novidade. Ele aproveita a história para exercitar quadros mais rígidos e compostos do que em “Cloverfield”, mas seu monocromatismo invadido apenas pelo vermelho nas cenas de perigo é tão funcional quanto pouco original.

Tô.

Algumas poucas mudanças incluem uma sequência inicial desnecessária e um foco maior no policial e sua investigação sobre a série de assassinatos. A adaptação mais clara é a atenção bem menor dada à trama dos vizinhos adultos/vítimas. Eles ganham menos espaço e são vistos apenas do ponto de vista de Owen com seu telescópio à la “Janela indiscreta”, ressaltando seu isolamento e o conflito entre o medo e o desejo que ele tem de se conectar com alguém.

De fato, a abordagem de Reeves para Owen, e consequentemente seu relacionamento com Abby, acaba sendo o grande diferencial do remake. Numa leitura mais apropriada ao puritanismo norte-americano, o subtexto sexual da relação entre os dois adolescentes é bem menos explorado que na versão sueca. A dolorosa atuação de Smit-McPhee traz um desejo não tão sexual e mais emocional à tentativa desesperada de alcançar alguém, no caso Abby. A esperança triste dos seus olhos é correspondida pela compaixão silenciosa de Moretz, bem mais contida (e melhor) que em “Kick-ass”. Vê-los em cena é como assistir a dois veteranos em papéis que eles nasceram para interpretar. Pronto, viu? Babando.

2 Comentários

  • William Alves
    Em 29 de janeiro de 2011 22:40 0Likes

    É tão quadro a quadro quanto Os Infiltrados e Funny Games US?

  • Daniel Oliveira
    Em 29 de janeiro de 2011 23:05 0Likes

    Mais que o primeiro, menos que o segundo.

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