A garota da capa vermelha

Nossa avaliação

[xrr rating=0.5/5]

Quem não participou (e/ou riu dos coleguinhas) daquelas montagens teatrais crassas de “Chapeuzinho vermelho” no Ensino Básico? A menininha de cachinhos dourados como a protagonista, a professorinha “dirigindo”, os figurinos vergonha-alheia feitos pela mãe, o cenário tosco de papel, as atuações canhestras, os diálogos declamados como um poema da Cecília Meirelles…

“A garota da capa vermelha” é exatamente isso. Só que com um orçamento de US$ 42 milhões. E um sub texto sexual barango que quer negar suas raízes em “Crepúsculo”, mas ficaria mais vermelho que a capa da protagonista perto de um “True blood” da vida.

Resumo da ópera (sic): Seyfried é Valerie, variação da clássica personagem que mora em uma vila medieval assolada pelos ataques do lobo mau. Mas essa é a menor das preocupações da moçoila, que sofre (sic) com o assédio dos principais garanhões locais, todos saídos de um catálogo da Calvin Klein e interessados em ser o primeiro a desencapuzar a donzela. Ela flerta nada virginalmente com o lenhador Peter (Fernandez), leia-se Jacob, mas é prometida em casamento para Henry (Irons), leia-se Edward.

A leitura “sexualizada” de Chapeuzinho Vermelho é quase tão antiga quanto a própria história e o filme de Catherine Hardwicke não acrescenta nada de novo a ela. Para além disso, a trama é um rocambole de desencontros amorosos banal, que a primeira novela mexicana, produzida em 1900 e minha bisavó, pediu de volta.

O Edward e o Jacob da vez: pelo menos, eles não montam a barraca juntos.

Os personagens de “A garota da capa vermelha” sofrem de um ímpeto incontrolável de expressar TODOS os seus sentimentos como se estivessem em um programa de namoro na TV. Se você é dos que acham que nada pode superar o constrangimento dos diálogos de Stephenie Meyer, prepare-se. Acrescente aí o talento da diretora do “Crepúsculo” original em extrair longos olhares de desejo e luxúria, em repetitivos supercloses de fazer Sergio Leone estrebuchar na cova, e o resultado é de contorcer na poltrona.

As atuações são, sem exceção, ruins. O que inclui a Julie Christie, de “Doutor Jivago” e “Longe dela”, como a vó da protagonista e não deixa mais nenhuma dúvida de que Hardwicke é uma péssima diretora. Ela poderia até atribuir a culpa a diálogos do naipe “Se você a ama, vai deixá-la partir”, escritos por David Johnson. E ao discurso político pífio que ele ensaia com o personagem de Gary Oldman, que só não soa mais artificial que a vila, a floresta e os figurinos proto-emo-hipster do filme.

Mas a incapacidade de encenar a história de forma convincente é dela. De entregar uma única sequência de ação sem quebra de eixo. De montar o filme de maneira a disfarçar minimamente os buracos do roteiro. Desde a proto-rave medieval à série de recursos visuais canhestros para enganar o espectador sobre a identidade do lobisomem, “A garota da capa vermelha” não é uma peça infantil. É pior. Pelo simples fato de não ter ideia do quão ruim ele é.

3 Comentários

  • Mari
    Em 25 de abril de 2011 13:38 0Likes

    Credo!

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