Quero matar meu chefe

Avaliação: ★★★☆☆ 

Há dias em que se precisa, ou se quer, assistir a um filme estúpido sobre pessoas estúpidas fazendo coisas absolutamente estúpidas. Há dias. Para a sorte de “Quero matar meu chefe”, eu estava em um desses quando ele foi exibido para a imprensa em BH. Porque a única razão possível para ver essa bobagem é se você quiser desligar totalmente seu cérebro e abdicar de qualquer esperança de vida inteligente na tela do cinema.

O filme do diretor Seth Gordon conta a história de três sujeitos – Nick (Bateman), Kurt (Sudeikis) e Dale (Day) – vítimas de diferentes tipos de bullying por parte de seus chefes – respectivamente, um psicopata egocêntrico (Spacey); um cocainômano grosseiro (Farrell); e uma ninfomaníaca sem limites (Aniston). Depois de consultar um “especialista” – Jamie Foxx, em um papel desnecessário que rende uma piada ruim e desnecessária atrás da outra – os três empregados decidem tentar o crime perfeito estúpido: um matar o chefe do outro.

Apesar de a ideia ser chupada do “Pacto sinistro” de Hitchcock – que provavelmente golfou um pouquinho no túmulo quando sua obra-prima foi citada no filme – além de “Jogue mamãe do trem”, “Quero matar meu chefe” nada mais é do que um subproduto de “Se beber, não case”. Não só o humor grosseirão e escatológico, mas o arcabouço cômico dos personagens é o mesmo: o sujeito comum, meio inocente e apático, que só se dá mal (Helms/Bateman); o mulherengo que só pensa em se dar bem (Cooper/Sudeikis); e o freak que sempre acaba nas situações mais surreais (im)possíveis (Galifianakis/Day). Uma tríade de equilíbrio dinâmico do humor que vem desde “Os três patetas” e foi contemporaneizada pelo longa de Todd Phillips.

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O longa começa com o retrato dos ambientes hostis de trabalho e as interações empregado-patrão do elenco são até promissoras. Mas elas não são totalmente exploradas e o roteiro logo parte para as premissas estúpidas, com os três planejando e executando os assassinatos, na busca do riso a qualquer custo. “Quero matar meu chefe” se torna, então, palco para o talento cômico de seu trio de protagonistas em situações inusitadas como as de “Se beber, não case” – só que sem a qualidade e originalidade daquele roteiro.

E pior que isso: Nick, Kurt e Dale acabam se mostrando tão idiotas que você quase desenvolve uma simpatia pelos vilões. Principalmente quando Spacey, Farrell e Aniston roubam todas as cenas em que aparecem. Quando eles meio que somem, o filme se torna simplesmente um sitcom cheio de palavrões e piadas para maiores de 18 anos. Algo absoluta e, por vezes, irritantemente idiota, se é disso que você está precisando.

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