Ruby Sparks: A namorada perfeita

Nossa avaliação

[xrr rating=3.5/5]

“Eu não sou um conceito. Muitos caras acham que eu sou um conceito ou que eu vou completá-los ou fazê-los se sentirem vivos, mas eu sou só uma garota fodida em busca da própria paz de espírito. Não faça a sua minha responsabilidade” – Clementine Kruczynski, “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”

A citação acima se aplicaria quase perfeitamente a “Ruby Sparks: A namorada perfeita”, uma mistura do longa de Charlie Kaufman & Michel Gondry com “Mulher nota mil” e “Mais estranho que a ficção”. Quase porque Ruby Sparks (Kazan), a garota em questão, é SIM um conceito – inventado pelo protagonista Calvin (Dano), um escritor antissocial e solitário cuja “garota perfeita” sai das suas páginas para “completá-lo” e “fazê-lo se sentir vivo”.

Autor de um best-seller aclamado ainda na época de colégio, o protagonista é tratado como um “gênio” desde então, num caso clássico de amadurecimento interrompido. Calvin é paparicado por agentes e fãs, vive numa casa tão moderna e perfeita quanto sem personalidade, mas o resultado disso tudo é que ele não consegue lidar com as imperfeições do mundo real.

Sem nunca ter batalhado obstáculos comuns aos meros mortais (e crescido com eles), o jovem autor não tem material para escrever seu segundo livro, frustrando as expectativas irreais de todos ao seu redor. E como bom escritor, ele projeta isso em um relacionamento com uma garota que, ainda que concebida como “perfeita” (ou “genial”), é incapaz de corresponder às suas expectativas irreais. Calvin só sabe lidar com o mundo existente em sua cabeça e a cena em que uma ex-namorada (Deborah Ann-Woll, MVP de “True Blood”) confronta ele sobre isso é chave para entender que Ruby não é uma cura, mas sim um sintoma dos problemas do protagonista.

Nobody is perfect. Trust me, I've learned it.

Os diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine) visualizam esses conceitos no figurino bege de Calvin que contrasta com as cores berrantes de Ruby. Da mesma forma, a casa branca vai ganhando cores e vida quando a garota adentra a vida do protagonista. A trilha de Nick Urata, ainda que derivativa do trabalho de Jon Brion, ajuda o tom “mais estranho que a ficção” do filme. E no cume disso tudo, estão Paul Dano e Zoe Kazan (neta de Elia Kazan) que, namorados na vida real, não precisam de muito esforço para emular a química de um casal de verdade – especialmente ela que, autora do roteiro, se dá ótimas cenas que demonstram seu talento quando Calvin tenta “ajustar” a personalidade de Ruby.

O filme não é perfeito. Ainda que o talento de Chris Messina dê alguma personalidade a Harry, ele ainda é o malfadado melhor amigo da comédia romântica. A sequência com a mãe de Calvin (Bening) e seu novo marido (Banderas) cai de paraquedas no meio do filme, cheia de clichês e desconectada do resto. E Kazan não sabe muito como terminar o filme, enrolando até uma cena final bonitinha, porém ordinária. Mas nada que comprometa. “Ruby Sparks” não é um conceito “Brilho eterno” – é só um filme tentando trazer um respiro de vida inteligente ao moribundo gênero da comédia romântica. E isso ele consegue.

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