Cisne negro

Nossa avaliação

[xrr rating=5/5]

Perfeição: s.m. 3. grau máximo de bondade ou virtude 7. estado ou condição de quem está livre de pecados.*

“Cisne negro” é a história de uma bailarina em busca da perfeição. Escolhida como protagonista do “Lago dos cisnes”, sua técnica impecável a torna o Cisne Branco ideal. Já para o Cisne Negro, ela precisa abraçar seu lado sombrio, além da sexualidade e sensualidade, com os quais não tem nenhum contato. Mas disso depende a perfeição. Nem que seja necessário perder a bondade e a virtude. Ou pecar.

O diretor Darren Aronofsky usa a voz e os traços quase infantis de Natalie Portman para construir uma personagem frágil, insegura, que ainda dorme em um quarto rosa de bonecas e é totalmente dominada pela mãe (Hershey). O físico assustadoramente longilíneo e a intensa disciplina de Nina são contrastados/ameaçados somente pela sua instabilidade mental e pelo espírito livre e lascivo de Lily (Kunis, claramente escalada devido à semelhança com Portman), sua concorrente na companhia.

Vem, Natzinha, vem pro Lado Negro da Força... Portman deveria ter sido Anakin Skywalker.

“Cisne negro” é um filme de duplos. Além do yin/yang óbvio dos cisnes e de Portman/Kunis, Nina transita basicamente por dois cenários: seu apartamento e o estúdio da companhia onde ensaia. No primeiro, é exaurida mentalmente pela mãe recalcada e castradora, enquanto seu físico se deteriora em estranhas feridas. No segundo, é esgotada fisicamente pelo coreógrafo abusivo Leroy (Cassel), enquanto sua mente perde o controle com estranhas visões e uma sensação constante de perseguição. A ideia dos duplos é marcada também visualmente na onipresença de espelhos. Os reflexos reforçam a dissociação da personalidade de Nina entre o Cisne Branco e o Negro, além de sufocarem ainda mais a protagonista na busca pela perfeição e na sua paranoia.

Filme de terror para mulheres? Tem que incluir espelhos.

Mas é a câmera de Matthew Libatique e a direção de Aronofsky que dão suporte à atuação de Portman. Sem um universo visual gótico, associado a uma edição de som impecável que permite escutar cada passo (e seu eco), para fundamentar sua expressão constante de medo e tensão, ela soaria simplesmente exagerada. Ao seguir de perto os bailarinos durante a coreografia, Libatique não só torna as sequências de dança mais envolventes, mas se torna também um dançarino com eles, além de outro observador espreitando a protagonista.

Já Aronofsky novamente explora a obsessão viciosa com o corpo em detrimento do espírito/da mente, opondo a ideia de perfeição ao prazer sexual. O extremo controle e a total ausência dele. O inatingível etéreo e a satisfação máxima presente no encontro/equilíbrio entre corpo e espírito. Sem possuir isso, Nina segue o caminho oposto, rumo à deterioração da mente (o que se reflete no seu corpo em decomposição), na busca de uma perfeição que Aronofsky ilustra de forma sublime com sua solução final.

* Dicionário Houaiss.

2 Comentários

  • Bruna Rios
    Em 8 de fevereiro de 2011 0:23 0Likes

    Gostei muito do clima do filme, difícil não se envolver com a personagem de Portman. ótima análise sobre o filme, ele é realmente uma busca pela perfeição em todos os sentidos.

  • Trackback: Sobrenatural: capítulo 2 - Pílula Pop

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