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O discurso do rei

por

10 de fevereiro de 2011

Cinema, Receituário

Avaliação: ★★★½☆ 

"I would like to thank the Academy..."
"I would like to thank the Academy..."

“A rede social”, entre várias outras coisas, é sobre a destruição de uma amizade. “O discurso do rei” é sobre a construção de uma – entre Bertie (Firth), um futuro rei George VI gago e inseguro, e Lionel Logue (Rush), o terapeuta que vai curar a fala dele e ajudá-lo a encontrar a voz que guiará o Reino Unido contra a Alemanha nazista.

O contraste é um sintoma que ajuda a entender porque o filme inglês vai ganhar o Oscar no próximo dia 27 de fevereiro. Ele diz da narrativa que os norte-americanos (em especial, a Academia) querem reverenciar, em tempos de nação dividida violentamente entre Democratas e Republicanos. Um homem capaz de vencer as próprias limitações e liderar um país contra o mal que se alastra.

Porque além disso, e da fascinação recalcada que os EUA têm pela realeza britânica, o filme do diretor Tom Hooper não tem muito mais a oferecer. Ao retratar as idiossincrasias e constrições inerentes à monarquia que nós mortais não conseguimos imaginar, o longa reutiliza em grande parte o mesmo cenário (nos sentidos visual e textual) de “A rainha”. Um ser humano obrigado a superar seus sentimentos e falhas comuns porque ocupa um lugar em que é mais do que ele mesmo – é a imagem encarnada de um povo.

Helen Mirren construiu uma personagem cuja existência é alicerçada nessa certeza, para ao final se curvar sob seu peso. Já o monarca de Colin Firth é um caso freudiano sufocado a vida toda pelas pressões da família, conseguindo superá-las no final porque descobre que o tal peso e uma vida de relações e laços saudáveis não são mutuamente excludentes.

Now I can talk, no one gets off...
Now I can talk, no one gets off...

O grande acerto de Hooper é tratar esse lado psicológico com elegância e sutileza, sem tornar o filme um estudo patológico – pelo contrário, ressaltando o lado humano de uma história prosaica. Seu trabalho se torna bem mais fácil com os talentos de Geoffrey Rush e Firth como os protagonistas. Eles não só habitam Lionel e Bertie com total naturalidade, mas conseguem transmitir ao público a crescente intimidade e a cumplicidade desses dois homens, mesmo limitados pelas tais constrições monárquicas da relação entre eles.

Se com os atores ele se dá bem, visualmente o diretor tenta gritar, mas faz pouco. Hooper abusa das grandes angulares, especialmente nos closes, para reforçar o quanto está expondo e aproximando seus personagens do público. Mas o recurso cansa. O maior mérito está no consultório de Logue, o primeiro lugar em que Bertie aparece iluminado no filme. A sala se torna um palco teatral onde a dupla de titãs se digladia, ri, chora, diverte e emociona o público, como o Shakespeare reverenciado pelo terapeuta. Nessas cenas, “O discurso do rei” encontra sua voz: um teatro com atores excepcionais, filmado de forma bonita, com um texto capaz de falar ao coração sem precisar ser nenhuma grande novidade.

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