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X-Men: Primeira Classe

por

2 de junho de 2011

Cinema, Receituário

X-Men: First Class

EUA, 2011

  • Dir: Matthew Vaughn
  • Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Oliver Platt, Nicholas Hoult, January Jones, Jason Flemyng

Avaliação: ★★★★★ 

Abriram a caixa de Pandora...
Abriram a caixa de Pandora...

Na “Ilíada”, poema épico de Homero do século VIII a.C, os deuses atuam nos bastidores, manipulando os humanos que são empurrados em direção a uma guerra: é típico da mitologia grega usar divindades para discutir a natureza humana.  Em “X-Men: Primeira Classe”, os deuses permanecem decidindo o destino da humanidade. Mas agora, estes seres superpoderosos são os mutantes, que guerreiam entre si em uma batalha que pode levar à 3ª Guerra Mundial.

O primeiro “X-Men”, dirigido por Bryan Singer em 2000, foi uma obra-chave para as adaptações de quadrinhos no cinema. Singer tirou os uniformes espalhafatosos, trocou a fantasia por ficção científica e conseguiu ancorar sua história em um clima realista (e que contou ainda com duas continuações bem sucedidas). É ele quem está por trás de “X-Men: Primeira Classe” (história e produção), mas quem dirige é Matthew Vaughn. A combinação de talentos resultou em um filme espetacular.

Como já é moda, a proposta de Singer foi voltar no tempo para mostrar a origem do grupo. Depois de “Star Wars”, “Cassino Royale”, “Batman Begins”, “Star Trek” e “Wolverine”, chegou a vez do Professor Xavier e Magneto terem seu passado revelado. “X-Men: Primeira Classe” só é possível graças a todos os filmes de super-heróis que vieram antes. Com este universo fantasioso já bem estabelecido no cinema, o roteiro pôde brincar com o gênero, sem se preocupar em justificar todos os personagens. As referências à trilogia anterior dos mutantes estão lá, jogando com o público que já sabe o que vai acontecer com aquelas pessoas e as escolhas que farão na vida. Mas isso não significa que o filme não tenha personalidade própria. Os personagens são muito bem desenvolvidos, com tempo para compreendermos suas motivações. Os mutantes tornam-se finalmente seres angustiados, e quem ganha com isso é Erik Lensherr, ou melhor, Magneto. O personagem cresce ainda mais em complexidade, auxiliado pela ótima atuação de Michael Fassbender, que equilibra insegurança, raiva e fragilidade de forma impressionante.

Emma Frost aka Rainha Branca aka Betty Draper em trajes mínimos
Emma Frost aka Rainha Branca aka Betty Draper em trajes mínimos

Com personagens bem desenvolvidos, Singer pôde colocá-los sem medo em um pano de fundo histórico real. A história começa em um campo de concentração nazista, repetindo praticamente quadro a quadro a sequência inicial do primeiro “X-Men”. Lá conhecemos o jovem Erik Lensherr, cuja infância de dor contrasta com a vida confortável de Charles Xavier (McAvoy): a diferença entre os dois já estabelece suas escolhas futuras. O filme salta para os anos 60, quando encontramos Charles e Erik já adultos e no meio de uma época conturbada. Atrás de um inimigo comum – o poderoso Sabastian Shaw (Bacon, ótimo) -, os dois irão se unir e criar a primeira classe de X-Men do título. Tudo em uma trama que, a la “Watchmen”, usa a Guerra Fria para mover os personagens (no caso, a Crise dos Mísseis de Cuba, que aconteceu em 1962).

Para que toda essa ambientação funcionasse, foi imprescindível a presença de Vaughn. Já acostumado em dar uma abordagem realista aos super-heróis com “Kick Ass”, o diretor aproveitou o colorido dos anos 60 para abusar de uma paleta de cores primárias que emula a tonalidade das páginas dos quadrinhos. Junto a isso, tomou liberdades com relação ao material original para inserir estes seres exagerados em um típico thriller de espionagem da época, uma aventura que roda o mundo misturando os romances de Tom Clancy com os clássicos “007” de Sean Connery (não por acaso “Moscou contra 007” é de 1963, mesmo ano em que a primeira revista dos mutantes foi lançada).

A imagem meio que resume toda a história
A imagem meio que resume toda a história

O resultado é preciso: as cenas de ação não são muitas, mas empolgam e ajudam a história andar. Tudo parece colocado da maneira certa, na hora certa. Há humor, drama, suspense e um espírito juvenil representado pelos jovens mutantes que faz um ótimo contraponto com toda a responsabilidade que pesa sobre os ombros de Xavier e o ódio que é carregado por Erik.

O elenco todo funciona bem, e os fãs vão se divertir ao reconhecer cada novo personagem que surge na tela. Mas “X-Men: Primeira Classe” pertence mesmo ao Professor X e Magneto. É a dinâmica entre estes dois deuses modernos que carrega todo o filme. Não apenas conhecemos as origens de suas convicções, mas também compreendemos os dois lados. Suas diferenças vão se tornando cada vez mais claras até o ponto em que aquela amizade se torna insustentável. É aí que percebemos que “X-Men: Primeira Classe” não é apenas um filme. É uma parábola sobre os nossos dilemas morais.

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2 Comments For This Post

  1. caio Says:

    Nada aver, não teve 3 guerra mundial

  2. carol Says:

    foda, o filme e a crítica!!

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